Brasil tenta dar destaque aos biocombustíveis na agenda global

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16/11/2016
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Fonte: Valor Online

O governo brasileiro faz nova tentativa nesta quarta-feira de dar destaque aos biocombustíveis na agenda global. O Brasil lidera a iniciativa “Plataforma para o Biofuturo”, que une 20 países nos esforços de promover os biocombustíveis como solução para reduzir as emissões globais do setor de transportes e da indústria. A estratégia, que será lançada na conferência do clima de Marrakesh, a CoP-22, engloba também EUA, China, França, Itália, Índia e Reino Unido, além de Argentina, Dinamarca e Suécia, entre outros. “É uma iniciativa que o Brasil propôs e conduziu até agora”, afirma Renato Domith Godinho, chefe da Divisão de Recursos Energéticos Novos e Renováveis do Itamaraty. A coalizão formada para promover bioeconomia e biocombustíveis avançados partiu do diagnóstico de que a governança internacional é muito fragmentada e não há uma agência específica ou tratado que cuide da questão energética. “As políticas são nacionais e muito pouco vem sendo feito para o setor de transporte”, observa Godinho. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), 23% das emissões de gases-estufa se relacionam a energia. No entendimento do governo brasileiro, as soluções têm sido focadas no setor de geração elétrica. Transportes está a descoberto. A tecnologia de carros elétricos, no entanto, está avançada. Artur Yabe Milanez, gerente do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, diz que as tecnologias de biocombustíveis de segunda geração avançaram nos últimos anos no mundo e, ao permitirem usar biomassa, reduzem o desperdício. Valem tanto para usinas de etanol no Brasil, que podem usar o bagaço da cana, como outros resíduos celulósicos. “Países que não têm disponibilidade de terra podem usar resíduos agrícolas dos cultivos que já têm”. Milanez acredita que o Brasil conseguiu contornar o temor internacional de que a produção de etanol seria um vetor de desmatamento da Amazônia. O Brasil usa 4 milhões de hectares na produção de etanol em comparação aos cerca de 200 milhões de hectares de pastos. Há seis grandes usinas de produção de biocombustível de segunda geração no mundo – duas estão no Brasil. A produtividade do setor também cresceu. Antes, para cada hectare de cana plantado, produzia-se 3 mil litros de etanol. Hoje são 7 mil e, com o etanol celulósico, pode ser 10 mil litros. O Brasil produz atualmente 30 bilhões de litros de etanol e exporta menos de 10%. Com a tecnologia de etanol celulósico, o governo estima que a produção pode saltar para 15 bilhões de litros de álcool. A jornalista viajou a Marrakesh a convite do Instituto Clima e Sociedade

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