Campos em terra são promissores para gás natural

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Fonte: DCI

Diante da prioridade absoluta da Petrobras no pré-sal, as perspectivas para que outras empresas possam explorar campos terrestres são promissoras, especialmente na produção de gás natural. Porém, especialistas apontam riscos para investimentos na área. “O potencial de reservatórios onshore é imenso no País, especialmente de gás natural. Mas como a Petrobras nunca teve foco na produção do insumo, sobram dúvidas sobre o desenvolvimento dessa atividade, especialmente questões regulatórias”, avalia o sócio líder de óleo e gás da KPMG no Brasil, Anderson Dutra. Na visão do consultor Juarez Fontana, as perspectivas para exploração de gás em campos onshore são muito boas, mas a estrutura para captação de investimentos é frágil no setor. “Como a Petrobras ainda detém o controle do transporte de gás natural no País, será difícil atrair investimentos porque há muitas incertezas sobre o retorno do capital”, observa. Ele acrescenta que a infraestrutura de escoamento da produção de gás natural está muito aquém do necessário.
“Investimentos adicionais em melhorias na rota de gasodutos do Sudeste são primordiais para reduzir a dependência do Brasil da importação, já que a região é responsável pela maior parcela do consumo interno.” O ministério de Minas e Energia vem demonstrando disposição para impulsionar os investimentos em campos terrestres no País através da 14ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), prevista para ocorrer ainda neste ano. Para o professor de finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga, dificilmente uma empresa deve arrematar um campo terrestre sem se associar a outra com know-how na área. “Ativos onshore no Brasil são atrativos, mas buscar parcerias é essencial para diluir os riscos.” De acordo com o sócio da KPMG, Javier Rodriguez, o melhor custo-benefício em campos terrestres seria algum tipo de associação. “Quando as majors globais do setor olham para o Brasil, imediatamente pensam no pré-sal. Já na exploração onshore, as parcerias são o caminho mais indicado”, comenta. Fontana lembra que o potencial em campos terrestres não está somente em áreas da Petrobras, mas naquelas que não foram arrematadas na última rodada da ANP. “Abacia do Parnaíba, por exemplo, já tem potencial identificado. Essa área seria interessante para o investidor até para interiorizar a oferta de energia para a indústria”, analisa.
Rodriguez alerta ainda para a necessidade do País em reduzir a sua dependência da importação do insumo. “Com o protagonismo do pré-sal, o gás acaba ficando em segundo plano”, diz. Fontana complementa que o desenvolvimento da exploração de gás natural em campos terrestres contribui fortemente para a redução dos custos da indústria. “Com novos investimentos na exploração onshore, o Brasil terá mais oferta de energia barata.” Fraturamento ou “fracking” Rodriguez, da KPMG, aponta a tecnologia de fraturamento hidráulico, mais conhecida como fracking, para impulsionar a produção de gás natural em campos terrestres no Brasil. O modelo de extração se disseminou nos Estados Unidos para a produção do gás de xisto (shale gas) e é visto como uma alternativa viável principalmente em períodos de baixa cotação da commodity. “Atecnologia de fracking permite que a empresa interrompa a produção quando os preços não estiverem favoráveis e retome assim que houver uma escalada das cotações, o que não acontece em outros tipos de extração”, explica o consultor. Fontana salienta que a tecnologia de fraturamento hidráulico pode ser aplicada com sucesso não só nos EUA, mas em grandes áreas da Argentina e do Brasil. “O princípio do fracking é muito antigo, mas só se tornou amplamente popular há alguns anos com o shale gas”, pontua. No entanto, o consultor alerta para os riscos envolvendo esse tipo de extração. “O principal cuidado na produção por meio do fracking é não contaminar o lençol freático”, explica. Ele afirma que a ANP e membros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já vêm estudando os critérios mínimos para adoção da tecnologia de fraturamento hidráulico na exploração de petróleo e gás no Brasil. Contudo, o tema é altamente controverso. “A legislação ambiental brasileira é uma das mais rígidas e complexas do mundo, mas para ser adotado, o fracking necessita de regulação específica”, pontua Fontana. “É preciso que haja uma norma razoável, que permita esse tipo de exploração
sem prejudicar ou colocar em risco o meio ambiente.” Na avaliação de Dutra, o principal entrave para a adoção do fraturamento hidráulico é o ambiente regulatório. “O licenciamento ambiental para esse tipo de projeto deveria ser customizado”, analisa. Para Rodriguez, a demanda por gás natural vai crescer no Brasil e o fracking seria uma grande oportunidade para garantir suprimento no mercado interno. “A legislação não é clara para exploração por fraturamento”, considera o especialista. “Sem uma regulação específica que garanta segurança jurídica ao investidor, não há como avançar no tema.”

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