Com barril em alta, petroleiras reforçam caixa para leilão

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Fonte: Valor Online

A recuperação dos preços do petróleo nas últimas semanas, para os patamares mais altos em três anos, tende a reforçar o caixa das petroleiras para os leilões do pré-sal dos próximos meses. Segundo especialistas consultados pelo Valor, o barril acima de US$ 75 promete aumentar a competição pelas áreas oferecidas.
“As petroleiras começaram o ano com uma expectativa de geração de caixa menor que a que vai acontecer. A decisão de participar de leilões é sempre tomada de olho na estratégia de longo prazo, mais do que nas oscilações de preços de curto prazo, mas é evidente que isso [valorização do petróleo] gera um acréscimo de caixa que vai ficar disponível para as empresas investirem. Apostar em licitações para aquisições de ativos passa efetivamente a entrar no radar das companhias”, afirma Hélder Queiroz, ex-diretor da ANP e pesquisador da UFRJ.
Queiroz lembra também que as companhias podem se apropriar de parte do aumento das receitas para elevar as distribuições de dividendos aos acionistas.
O especialista acredita que, se os preços do barril se mantiverem nos patamares atuais, a valorização se refletirá em leilões mais competitivos. Para este ano, estão marcadas duas licitações de áreas do pré-sal com os quais o governo planeja arrecadar R$ 10 bilhões em bônus de assinatura. Na rodada de partilha, o bônus de assinatura é fixo e a competição se dá entre quem apresenta a maior parcela de óleo para a União (o chamado excedente em óleo).
“Com a alta do preço do petróleo, as empresas passam a ter condições de serem mais competitivas nos leilões. Petroleiras que antes avaliavam que não teriam condições de pagar um determinado bônus passam a ter condições e entram na disputa, aumentando o número potencial de consórcios”, afirma o pesquisador.
A elevação dos preços do petróleo abre uma chance para pequenas e médias petroleiras investirem no Brasil
A 4ª Rodada de partilha ofertará, no próximo dia 7 de junho, quatro blocos, nas bacias de Campos e Santos: Três Marias (R$ 100 milhões), Uirapuru (R$ 2,65 bilhões), Itaimbezinho (R$ 50 milhões), e Dois Irmãos (R$ 400 milhões). Já a 5ª Rodada de partilha, marcada para 28 de setembro, leiloará outras quatro áreas: Saturno (R$ 3,125 bilhões), Titã (R$ 3,125 bilhões), Pau Brasil (R$ 500 milhões) e Sudoeste de Tartaruga Verde (R$ 70 milhões).
Além disso, o governo tem planos de realizar, ainda neste ano, o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa, que poderá exigir das petroleiras dezenas de bilhões de reais em pagamentos de bônus.
Para a pesquisadora da FGV Energia, Fernanda Delgado, a elevação dos preços do barril é uma boa notícia também para atrair investimentos das pequenas e médias petroleiras para o Brasil. Fernanda lembra que a escalada do barril do petróleo acontece num momento em que essas companhias têm pela frente oportunidades de negócios em curso, como o avanço da venda de ativos da Petrobras em áreas terrestres, águas rasas e campos maduros.
“O aumento do preço do petróleo aumenta a margem de lucro das empresas, a diferença entre o preço de venda e os custos de produção. Isso é ainda mais sensível entre as empresas que pequenas e médias, entre as petroleiras que operam campos maduros, que trabalham no limite da eficiência na recuperação de óleo”, afirma Fernanda.
Ela também destaca que a recuperação dos preços pode ajudar a destravar investimentos na extensão da vida útil de campos maduros e dar maior poder de aquisição de blocos exploratórios em outras regiões que não o pré-sal. Ainda este ano, a ANP iniciará o ciclo de oferta permanente. É um mecanismo pelo qual o órgão regulador coloca à disposição do mercado, permanentemente, uma lista de campos devolvidos à União e blocos ofertados em licitações anteriores e não arrematados.
“A alta do petróleo torna as companhias mais propensas ao risco. As empresas que já vinham mostrando interesse em aquisições no Brasil têm mais caixa para continuar investindo e as companhias que até então não tinham condições de participar passam a ter”, diz a pesquisadora.

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