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Fonte: Valor Online

Em alguns muros nos bairros menos abastados da capital mexicana ainda é possível ver pichações com as palavras de ordem “Abaixo o Gasolinazo”. Há cerca de um mês, no início de janeiro, protestos populares se espalharam por todo o país contra o reajuste de 20% dos preços da gasolina e deixaram seis pessoas mortas durante os confrontos com a polícia. Em linha com o novo plano de negócios da estatal Pemex, que prevê eliminar as perdas no refino e alcançar um “equilíbrio financeiro” até 2019, a liberação dos preços dos combustíveis, no México, se dá meses após a Petrobras anunciar sua nova política de preços dos combustíveis – baseada na paridade com os preços internacionais. Estatais símbolos da soberania nacional e principais produtoras de petróleo de seus respectivos países, seguem planos de negócios focados no controle da dívida e na prática de preços de mercado. Para muito além da semelhança dos nomes, a Petróleo Brasileiro (Petrobras) e a Petróleos Mexicanos (Pemex) passam por um momento de reestruturação muito parecido. LEIA MAIS Petrobras fica de fora de licitação de áreas exploratórias no México As sete voltas ao mundo do ‘peixe de águas profundas’ Petrobras anuncia 1ª descoberta de gás em águas do Caribe colombiano Com limitações na capacidade de levantar recursos, as duas companhias buscam sócios com quem dividir pesados investimentos em águas profundas, num momento em que a indústria de óleo e gás, tanto no México quanto no Brasil, se reabrem para as petroleiras estrangeiras. As empresas apostam em projetos custosos em águas profundas para compensar o declínio da produção Irmãs latino-americanas, Petrobras e Pemex compartilham os desafios de renovar suas respectivas produções. As duas empresas apostam em projetos custosos em águas profundas para compensar o declínio da produção de suas principais fontes de produção: o pós-sal da Bacia de Campos, no caso da brasileira, e do campo de Cantarell, da Pemex, que já chegou a ser um dos maiores de todo o mundo, com uma produção de 2 milhões de barris/dia em 2004, mas que hoje produz cerca de 200 mil barris diários de petróleo. Para prolongar a vida útil do campo, a Pemex investiu na instalação de uma nova plataforma com tecnologia de compressão de gás no local. A unidade foi batizada de “Agosto 12”, uma homenagem ao dia em que o presidente mexicano Enrique Nieto promulgou, em 2014, a lei que pôs fim ao monopólio da Pemex e reabriu o mercado de óleo e gás mexicano – fechado desde as reformas nacionalistas de 1938. Além de promover rodadas de licitação de blocos exploratórios, o governo mexicano tem buscado atrair investimentos privados também a partir de um programa de parcerias com a Pemex. Sem recursos para investir em águas profundas, a estatal mexicana tem recorrido a alianças com novos sócios, a exemplo do programa de venda de ativos e parcerias da Petrobras. Em dezembro do ano passado, a Pemex firmou um acordo de US$ 624 milhões com a BHP Billiton, para venda de uma fatia de 60% na área de Trion, no Golfo do México, além de parcerias com a Chevron e Inpex para participação em leilões de águas profundas no país. A Petrobras, por sua vez, fechou acordos com a francesa Total, para venda de participação e investimentos conjuntos em Iara (pré-sal da Bacia de Santos), e com a norueguesa Statoil, para avaliar oportunidades de investimentos na recuperação de campos maduros. As grandes petroleiras têm menos caixa para investir e Brasil e México competem por investimentos “Sem dúvida o momento dos dois países é muito parecido, mas é impressionante como o processo de abertura do setor no México se dá numa velocidade mais acelerada que em outros países”, diz Alexandro Berentsen, diretor de Óleo e Gás da Siemens no México. Brasil e México vivem um momento de reabertura do setor e tem fomentado uma recente competição por investimentos. O governo brasileiro pretende promover dois leilões do pré-sal este ano – os primeiros após o fim do monopólio da operação da Petrobras na operação dos campos leiloados sob regime de partilha. Já o México promete realizar sua segunda rodada de licitações, depois do sucesso da primeira edição – que atraiu mais de US$ 1,5 bilhão em compromissos de investimentos por parte de grandes petroleiras internacionais, como Total, Chevron, Statoil e ExxonMobil. Pablo Medina, analista da Wood Mackenzie , explica que, num cenário de preços mais baixos da indústria como hoje, as petroleiras têm menos caixa para investir e Brasil e México passam a competir por investimentos. Ele destaca que, geologicamente, o pré-sal é muito atrativo, mas lembra que o governo brasileiro precisa apresentar um edital convincente e dar sinais regulatórios positivos. A inspiração, segundo o consultor, deveria ser justamente o México. “A abertura de mercado no México foi em boa parte inspirada no Brasil, mas teve o mérito de se adaptar rapidamente e tornou as regras mais atrativas a investimentos depois da queda do preço do barril, trabalhando, por exemplo, com exigências de conteúdo local mais baixas”, afirmou Medina, lembrando do fracasso brasileiro ao tentar atrair investimentos durante a 13ª Rodada, em 2015, por falta de um edital mais adequado à realidade do mercado na ocasião. O repórter viajou a convite da Siemens

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