Exportação de etanol dispara nesta safra

Petrobras anuncia retomada de operações em unidade de refinaria de Pasadena
18/07/2016
Etanol: hidratado sobe e anidro cai no Mercado Paulista
18/07/2016
Mostrar tudo

Fonte: VALOR ECONÔMICO

Ainda que o mercado externo represente uma parcela pequena das vendas de etanol das usinas brasileiras, as exportações do produto estão mais aquecidas nesta safra 2016/17. O dólar mais valorizado no período contribuiu para esse dinamismo no mercado internacional, além da retomada da política de incentivo ao consumo de biocombustíveis na Califórnia. Há incertezas, porém, se esse movimento vai se manter até o fim da safra.
Desde abril, quando começou a safra sucroalcooleira de 2016/17, até junho, o Brasil exportou 449 milhões de litros de etanol, 121% a mais que no primeiro trimestre da temporada anterior, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). A receita avançou 103% na base anual, para US$ 207 milhões. Na safra passada, o Brasil exportou 2,159 bilhões de litros, mas já chegou a embarcar 3,482 bilhões na temporada 2012/13.
Por ser misturado à gasolina, o etanol anidro é o principal tipo de etanol exportado pelo Brasil, que fornece o produto especialmente para atender políticas de redução de emissões de gases estufa, como a dos EUA. O país importa cerca da metade do etanol que o Brasil vende ao exterior.
Segundo dados da Secex compilados pelo Ministério da Agricultura, as exportações de etanol para os EUA cresceram quase 20% no primeiro trimestre da safra, para 215 milhões de litros, apesar de o etanol ainda chegar aos portos americanos menos competitivo que o etanol de milho produzido no país.
Na última semana, o etanol de cana brasileiro era negociado no porto de Houston, no Golfo do México, a US$ 2,22 por galão, 62 centavos de dólar a mais que o etanol de milho posto no mesmo local, segundo a consultoria FCStone.
Na Califórnia, o etanol brasileiro vem ganhando mais mercado, já que o Estado voltou a adotar neste ano o Programa Padrão de Combustível de Baixo Carbono (LCFS, na sigla em inglês) e atualizou o modelo de precificação da “pegada de carbono” dos biocombustíveis, que fornece às usinas um prêmio pelos combustíveis que emitem menos gases estufa em sua cadeia produtiva, o que varia conforme o fornecedor de etanol.
Esse prêmio garantido pelo governo da Califórnia, que se soma ao do governo federal americano, era na semana passada de 18,18 centavos de dólar por galão para o etanol brasileiro, segundo a FCStone. Apesar de o custo ser maior do que o do etanol de milho, o uso do biocombustível de cana faz as refinarias atingirem mais rapidamente as metas de emissão de gases estufa. “Esse prêmio tem ajudado as exportações brasileiras”, disse Vitor Andrioli, analista da consultoria.
Tal vantagem foi aproveitada recentemente pela Raízen Energia, que acertou dois embarques para a Califórnia, os primeiros feitos ao Estado americano neste ano. A empresa não comentou a transação, mas estima-se no mercado que os dois embarques tenham somado 50 milhões a 60 milhões de litros, a um prêmio próximo de 27,39 centavos de dólar por galão.
Apesar da retomada da política da Califórnia, que pode dar um fôlego adicional às vendas externas brasileiras, ainda é incerto se o ritmo de exportações de etanol continuará acelerado até o fim da safra. Para Martinho Ono, diretor da SCA Trading, a atratividade do mercado global de açúcar e a recente queda do dólar devem provocar até uma queda dos embarques nesta safra ante.
Já Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting, observa que o ritmo de exportações está acelerado desde o ano passado, já que, entre julho de 2015 e junho deste ano, os embarques mais do que dobraram, para 2,4 bilhões de litros. “A necessidade de cana está além da moagem deste ano e existe uma possibilidade crescente de termos a entressafra mais apertada dos últimos anos”, avaliou Corrêa, em recente relatório a clientes.

Os comentários estão fechados.