Extinção de Conselho de Petróleo e Gás da Fieb repercute no setor

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Fonte: A Tarde

Berço da exploração de petróleo no Brasil – a partir do poço de Candeias em 1941 -, a Bahia vê agora o setor definhar, diante das incertezas de projetos da Petrobras para os campos terrestres, sobretudo, após o foco no pré-sal e os escândalos de corrupção envolvendo a estatal. O desânimo parece ter contagiado até mesmo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), que surpreendeu o setor encerrando, sem maiores anúncios, as atividades do Conselho de Petróleo, Gás e Naval (CPGN/Fieb).

“É um setor que está na prática hibernando, e a Fieb, certamente, diante das incertezas da Petrobras – que não conclui a venda dos poços maduros e nem produz – deve ter optado por suspender as atividades do Conselho, até mesmo por questões orçamentárias”, diz o secretário-executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip), Anabal Jr, que também era membro do conselho extinto.

A reportagem de A TARDE tentou entrar em contato com o até então presidente do CPGN, Humberto Rangel, mas a assessoria do executivo informou que ele estaria em viagem para o exterior. Na Fieb, o setor de comunicação confirmou que os conselhos temáticos da instituição passaram por uma reestruturação, “no sentido de otimizar sua atuação”.

A entidade não entrou em detalhe sobre o caso específico do CPGN, mas explicou que os conselhos que atuavam em áreas semelhantes ou complementares foram fundidos: “antes eram 13 e um comitê (voltado para a área da construção); agora, são nove, sendo mantido o comitê da construção”, disse em nota. Em compensação, segundo a Fieb, nos conselhos mantidos foi ampliado o número de participantes para 19 membros. Antes eram 13.

Anabal Jr. revelou, entretanto, que no caso do CPGN dos 18 ex-integrantes do Conselho que listavam no portal da entidade, agora apenas “alguns”, a exemplo dele próprio, passaram a compor uma espécie de grupo de trabalho que vai continuar atento às eventuais movimentações da Petrobras que possam afetar o setor na Bahia. “É um tema que será sempre relevante para o estado e, sem dúvida, não deixará de constar na pauta da Fieb, tendo ou não um conselho específico para isso”, acredita.

De acordo com informações divulgadas no portal da Federação, o CPGN foi criado com o objetivo de promover a participação de empresários e executivos do setor na discussão de temas e proposições relacionados à atração de investimentos e maior participação das empresas locais nos novos projetos industriais em curso no estado e no País. As reuniões com empresários, executivos e técnicos da indústria, além de representantes da academia e de órgãos públicos, eram realizadas mensalmente.

Sem representação

Ex-gestor da Petrobras e também ex-integrante do CPGN, o geólogo Antonio Rivas lamenta o fim do conselho da Fieb. “Já temos enfrentado um declínio na produção e esse fim do Conselho, sem maiores explicações pela Fieb, apenas agrava os problemas enfrentados pelo setor na Bahia, que carece de uma representação e posicionamento à altura da importância e valor desse estratégico setor industrial, seja no âmbito do governo estadual ou na iniciativa privada”, alega.

Para Rivas, a falta de entidades representativas do setor na Bahia é um dos fatores que têm dificultado o ambiente dos negócios na exploração e produção, especialmente após o fim do monopólio estatal do petróleo, em 1997, quando várias empresas privadas passaram a atuar na Bahia e no Brasil. É também, segundo ele, um dos motivos dos entraves enfrentados para o desenvolvimento de pesquisas e testes específicos para melhor desempenho dos campos terrestres maduros, “o que resulta em atraso na incorporação de tecnologias mais inovadoras, que poderiam contribuir para a redução dos custos operacionais, por exemplo”, diz.

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