Fatia de produção de petróleo da Petrobras no país cairá a 70% até 2026, estima a EPE

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Fonte: Valor Econômico

Uma produção de petróleo menos concentrada nas mãos da Petrobras e cada vez mais direcionada para exportações. Uma recuperação lenta no consumo de combustíveis entre os veículos leves pelos próximos cinco anos e uma matriz veicular mais limpa, baseada na retomada dos investimentos no setor de etanol. Este é o futuro que os estudos recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam para a próxima década. Responsável pelo planejamento do setor energético no Brasil, compilado no Plano Decenal de Energia (PDE), a EPE está revendo suas premissas econômicas e setoriais. José Mauro Coelho, diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da empresa, diz que o grande desafio da instituição é traçar projeções “mais críveis” e “coladas à realidade”, o que passa por assumir uma participação menor da Petrobras nos investimentos em óleo e gás e um cenário de crescimento mais modesto da demanda interna. Os estudos mais recentes da EPE, segundo ele, indicam que a fatia da Petrobras na produção nacional de petróleo deve cair, dos atuais 78% para 70% até 2026, e que o Brasil se tornará um “player muito importante” nas exportações. De acordo com as projeções da estatal, a produção do Brasil deve praticamente dobrar em dez anos e atingir entre 4,7 milhões e 5 milhões de barris diários em 2026. “Mas a demanda não acompanhará o crescimento da oferta e o Brasil passa a ser um player muito importante na exportação, talvez ficando entre os dez maiores exportadores do mundo, com volumes exportados de 1,5 milhão a 2 milhões de barris/dia”, afirma. A EPE prevê um crescimento de 9,25% na demanda do Ciclo Otto (veículos que operam com motores a gasolina e/ou etanol), mas espera que a retomada do consumo só se dê a partir de 2022. Até lá, estatal projeta um consumo praticamente estável, devido, em parte, ao licenciamento menor de novos veículos flex na frota. Coelho conta que um dos grandes destaques dos próximos dez anos será o aumento da competitividade do etanol e o protagonismo maior do biocombustível na matriz. Segundo ele, os estudos da estatal indicam que, na esteira dos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris (COP 21), a participação do etanol hidratado no consumo pelos veículos flex fuel subirá dos atuais cerca de 30% para 46% em 2026. Segundo Coelho, a expectativa em torno do maior protagonismo do etanol na matriz reflete as sinalizações dados no âmbito do RenovaBio, programa que está em discussão no Ministério de Minas e Energia, com o objetivo de expandir a produção de biocombustíveis no Brasil. Dentre os principais mecanismos de indução aos investimentos em discussão está a diferenciação tributaria entre o etanol e a gasolina e o estabelecimento de metas de redução de emissões para o setor de transporte. “No nosso cenário de referência, em 2026 a gente verifica uma retomada gradual dos licenciamentos de veículos leves. Estamos considerando uma retomada do crescimento, uma redução do endividamento das famílias, uma queda da taxa de desemprego, um país melhor do que está hoje. A gente acredita que os sinais positivos do RenovaBio vão se refletir em novas usinas, que vão efetivamente levar a uma oferta maior e uma demanda maior por etanol”, afirma. Ele acredita que, com sinalizações positivas, novas usinas comecem a operar a partir de 2021 e 2022. “Estamos falando de uma ou duas usinas por ano. Nada comparável ao boom de investimentos de 2008-2009. Achamos que há espaço para novos investimentos, mas o investidor precisa fazer seu dever de casa, aumentar a competitividade, renovar o canavial, fazer o trato da lavoura, usar variedades mais produtivas.” Coelho destacou também que a indústria sucroalcooleira deve se concentrar mais no mercado interno. A previsão da EPE é que as exportações totalizem 2,7 bilhões de litros em 2026, volume 50% superior aos 1,8 bilhão de litros do ano passado, mas ainda muito abaixo dos patamares de 2008, quando os embarques chegaram a atingir mais de 5 bilhões de litros.

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