Petrobras diz aguardar aprovação no Congresso de proposta que usa renda do petróleo para subsidiar combustíveis
Jornal Folha de S. Paulo
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta terça-feira (12) que o preço da gasolina em suas refinarias vai aumentar “já, já”. A estatal espera apenas aprovação pelo Congresso de proposta do governo que usa a renda do petróleo para subsidiar combustíveis durante a guerra no Irã.
“Vai acontecer já, já um aumento de preço da gasolina”, afirmou, em conferência com analistas para detalhar o lucro de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. A ideia é que o aumento não chegue ao consumidor, já que o governo pretende reduzir impostos sobre o produto.
A afirmação tentava tranquilizar os investidores sobre a falta de repasse da escalada das cotações internacionais após o início da guerra no Irã. “Estamos trabalhando na gasolina e em breve os senhores terão boas notícias.”
Na abertura do mercado desta terça, a gasolina vendida nas refinarias da estatal custava R$ 2,03 por litro abaixo da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
A estatal e o governo trabalham em parceria, completou a executiva, para garantir a rentabilidade da empresa sem que o consumidor pague pelo custo da guerra. “A parceria com governo federal tem sido, posso afirmar aos senhores, proveitosa para a Petrobras e proveitosa para a sociedade brasileira.”
Magda ponderou ainda que a Petrobras precisa olhar com atenção a queda do preço do etanol, concorrente da gasolina pelo abastecimento dos veículos biocombustíveis que compõem a maioria da frota brasileira.
“A questão da gasolina é um pouco mais delicada, porque compete com o etanol”, disse. “Nos últimos 15 dias o preço do etanol baixou bastante no mercado brasileiro. Estamos tratando desse aumento da gasolina, mas sempre de olho no nosso market share [fatia de mercado].”
Magda já havia antecipado a disposição de aumentar da gasolina após a aprovação da isenção de impostos no Congresso. Mas a relatora do projeto, Marussa Boldrin (Republicanos-go), quer que o benefício seja revertido em forma de desconto ao consumidor.
No caso do diesel, as isenções e os subsídios não significaram queda nos preços, pelo contrário: o valor de venda do combustível nos postos subiu mais de 20% desde o início do conflito.