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Fonte: Valor Online

A mudança na política de preços da Petrobras vai pautar a estratégia das empresas de distribuição de combustíveis daqui para a frente e capacidade de “trading” e infraestrutura logística ganham ainda mais relevância para o negócio, de acordo com o presidente da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, Luis Henrique Guimarães

“A importação passa a ser parte do fornecimento e não mais uma operação oportunista que buscava gerar valor na arbitragem. Agora, o risco adicional é a volatilidade dos preços da Petrobras no mercado interno”, afirmou.

Ao mesmo tempo, as compras externas tanto de gasolina e diesel como de etanol serão inevitáveis nos próximos anos, na avaliação do executivo da Raízen, já que não há perspectivas de investimentos em aumento de capacidade produtiva por parte da estatal no Brasil.

“O Brasil vai ter que importar, não vai ter saída”, sustentou Guimarães, citando um investimento de R$ 200 milhões da companhia em um terminal de armazenamento de líquidos no porto de Itaqui, no Maranhão, para receber combustíveis do exterior.

Uma vez que a dinâmica de mercado mudou, a Raízen também reforçou seu time de trading. “As importações agora são parte do dia a dia, parte da estratégia de suprimento, e o Brasil finalmente volta a praticar preços com lógica econômica”, acrescentou o executivo.

Para o braço sucroalcooleiro da joint venture, a nova política de preços da Petrobras trouxe, até o momento, apenas benefícios. Desde que a estatal passou a atrelar os preços da gasolina que vende no mercado interno às oscilações do petróleo no mercado internacional, os preços do combustível nos postos seguiram trajetória de alta, o que elevou o preço médio do produto no ano passado e favoreceu a elevação de preços do etanol hidratado (abastecido diretamente nos tanques).
Empresa seguirá atenta a oportunidades de fusão e aquisição, mas não vai investir em ativos sem qualidade.
“Isso [a política de preços da Petrobras] fez com que o preço médio do etanol na safra 2016/17 fosse melhor que na safra anterior, porque tirou o teto do produto”, afirmou Guimarães. Em geral, os preços do etanol hidratado ficam próximo de 70% do valor da gasolina, patamar em que os dois combustíveis são igualmente competitivos, conforme parâmetro mais aceito no mercado.
O executivo reconheceu, porém, que ao referenciar os preços internos no mercado externos, “tem coisa boa e coisa ruim”, já que o setor sucroalcooleiro se torna suscetível à fortes quedas do petróleo.
Por isso, Guimarães reforçou que, na ordem de prioridade de produção, a Raízen Energia segue com foco em açúcar. “A ordem [de prioridade] é açúcar, etanol industrial, [etanol] anidro e depois [etanol] hidratado. Queremos estar menos sujeitos ao preço do barril e a políticas de preço da Petrobras”, justificou.
Além disso, o presidente da Raízen ressaltou que o açúcar continua oferecendo prêmio em relação ao etanol mesmo depois da queda dos preços do adoçante nos últimos meses, o que mantém a tendência mais “açucareira” para a safra 2017/18, que começa oficialmente em 1º de abril.
No mercado doméstico de combustíveis, após o recuo verificado no ano passado, os números do primeiro trimestre começaram a mostrar alguma melhoria, segundo Guimarães. Nesse ambiente, a Raízen manterá a expansão da rede de postos de maneira “seletiva”. “Vai haver racionalização no mercado, porque o Brasil tem elevado número de postos”, observou.
O presidente da Raízen reconhece que, no negócio de conveniência, a empresa de distribuição ainda não achou o modelo ideal. Algumas decisões já foram tomadas, como a contratação de profissionais com histórico de atuação no varejo e a separação dessa área em um novo CNPJ, mas elas ainda não se refletiram nos números. “Não estamos felizes com o resultado, tem muito mais valor para extrair dessa área”, disse o executivo.
A Raízen também seguirá atenta a oportunidades de fusão e aquisição, mas não vai investir em ativos sem qualidade de ponto de venda. “Não queremos trazer problema para uma rede que está bem equacionada”, afirmou. Sobre embandeiramentos, disse que a velocidade daqui para a frente não deve ser muito maior do que a vista, com cerca de 300 a 350 unidades por ano.

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