Inflação desacelera em 2016 e fica em 6,29%, abaixo do teto da meta

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Fonte: O Globo

Depois de um 2015 com inflação de dois dígitos, de 10,67%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, arrefeceu em 2016 e fechou o ano em 6,29%, voltando a ficar abaixo do teto da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), que é 6,5%. O movimento foi puxado por elevações menores dos preços administrados e dos alimentos. No mês de dezembro, a taxa ficou em 0,30%, após alta de 0,18% em novembro e de 0,96% em dezembro de 2015. É a taxa mais baixa para o mês de dezembro desde 2008, quando ficou em 0,28%.
A alta de dezembro de 2016, em relação ao mês anterior foi influenciada pelos alimentos, que aceleraram 0,08% frente a a deflação de 0,20% em novembro. Despesas pessoais com alta de 1,01% e transportes subindo 1,11% também contribuíram para a taxa mensal.
A taxa de inflação é decisiva para ajustar os juros no país, e hoje, após o fechamento do mercado, o Comitê de Política Econômica do BC deve anunciar o corte da Selic (referência para as taxas no país).
Nesta semana, as previsões do mercado convergiram: o BC projetou 6,35% e os analistas ouvidos pela Bloomberg 6,34%. Para este ano, as estimativas são ainda melhores, com a inflação se aproximando do centro da meta do governo, que é de 4,5%.
– Tanto em 2015 quanto em 2016 tivemos aumentos fortes em alimentos, que é a principal despesa das famílias. O perfil do crescimento dos preços alimentícios ditaram o comportamento da inflação nos dois anos, por conta de altas proporcionadas por problemas no clima, como o fenômeno El Ni?o. Com o passar dos meses em 2016 você tem leve redução dos alimentos, turbulências políticas que influenciaram o dólar, aumento de ICMS incorporados nos preços e no segundo semestre as taxas arrefeceram muito por conta de queda na demanda – explica Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
ALIMENTOS PUXARAM ALTA EM 2016
O grupo de alimentos e bebidas foi a principal influência para os 6,29% acumulados em 2016, com alta de 8,62% e impacto de 2,17 pontos percentuais no resultado geral. Ao mesmo tempo, saúde e cuidados pessoais subiram 11,04% e impacto de 1,23 ponto percentual. Juntos, esses dois grupos responderam por mais da metade do índice total (3,4 pontos percentuais).
De acordo com o IBGE, a alta nos alimentos foi influenciada pela queda da produção agrícola, que ficou 12% abaixo do desempenho de 2015. O grupo alimentos e bebidas representa um quarto do resultado geral da inflação. Os alimentos para consumo em casa, que representam 17% do IPCA geral, subiram 9,36%, enquanto que a alimentação fora de casa subiu 7,22%. No entanto, no ranking dos impactos individuais, a alimentação fora de casa é líder, com contribuição de 0,63 pontos.
Entre os alimentos consumidos em casa, houve aumentos significativos, com destaque para os feijões (56,56%) e o arroz (16,16%), que compõem o prato básico do brasileiro. Já a cebola (-36,50%), a batata-inglesa (-29,03%), o tomate (-27,82%) e a cenoura (-20,47%) foram destaques entre os produtos que ficaram mais baratos no ano.
– As taxas da inflação da alimentação fora de casa não mudam muito ao longo do ano, e fica abaixo da dos alimentos consumidos em casa por conta da queda na demanda. Como as pessoas estão segurando os gastos, os comerciantes não têm conseguido repassar seus custos para os preços de seus serviços – explica Eulina.
Em 2016, dos 373 itens monitorados pelo IBGE, 120 tiveram alta de preço de dois dígitos, acima de 10%. No ano anterior foram 160.
EM DEZEMBRO, DEFLAÇÃO
Em dezembro, os alimentos subiram devido à alimentação consumida em casa, que saiu de uma deflação de 0,47% em novembro para apenas -0,05% em dezembro. Apesar de alguns produtos alimentícios terem tido queda de preço, como o feijão-carioca (-13,77%) e o leite longa vida (-3,97%), outros produtos importantes na mesa do brasileiro exerceram pressão contrária, como o arroz (0,21%), as carnes (0,77%) e as frutas (3,39%). Em dezembro, a alimentação fora de casa manteve a mesma taxa de novembro (0,33%).
Os principais impactos individuais no índice do mês vieram das passagens aéreas, com alta de 26,29% e impacto de 0,10 ponto percentual na taxa média geral, da gasolina (1,75% e 0,07 ponto) e do cigarro (4,80%, com 0,05 ponto de impacto.). O impacto destes três itens juntos foi de 0,22 ponto percentual, o equivalente a 73% do IPCA. Passagens aéreas e gasolina foram os principais responsáveis pelo IPCA dos transportes (1,11%), a maior alta de grupo no mês. Houve elevação de preços em outros itens desse grupo, como seguro voluntário de veículo (2,92%), diesel (1,47%), etanol (0,75%) e conserto de veículo (0,57%). No caso da gasolina, o aumento foi reflexo do reajuste de 8,10%, a partir de 6 de dezembro. O diesel teve um reajuste de 9,5% na mesma data.
Nas despesas pessoais (1,01%), a maior pressão veio do cigarro (4,80%), tendo em vista reajustes ocorridos a partir de 1º de dezembro. Houve influência, também, dos serviços de excursão (0,91%), empregado doméstico (0,87%) e cabeleireiro (0,53%). Nos demais grupos, destacam-se as altas de artigos de limpeza (1,18%), plano de saúde (1,07%), mão de obra para pequenos reparos (0,87%), roupa masculina (0,72%), roupa feminina (0,66%).
O principal impacto para baixo (-0,13 ponto percentual) veio da energia elétrica (-3,7%). Essa queda nos preços se deve à volta da bandeira tarifária verde em 1º de dezembro, em substituição à amarela, que implicava em custo adicional de R$ 1,50 por cada 100 kilowatts-hora consumidos. Ocorreu, ainda, queda de 11,49% nas contas de energia de Porto Alegre, reflexo da redução de 16,28% nas tarifas de uma das concessionárias, a partir do dia 22 de novembro. No Rio de Janeiro, o recuo na energia elétrica (-4,98%) refletiu a redução de 11,73% em uma das concessionárias locais, desde 07 de novembro.
MAIS DESACELERAÇÃO EM 2017
De acordo com a economista do Ipea Maria Parente, essa queda em 2017 ocorrerá em razão de uma queda expressiva nos preços dos alimentos e dos serviços. No caso dos alimentos, as boas projeções de safra tanto no país quanto no resto do mundo e a baixa probabilidade da ocorrência de fenômenos climáticos, que poderiam prejudicar a produção agrícola, devem manter os preços das commodities agrícolas bem comportados, dando continuidade à trajetória de queda em curso desde o último trimestre do ano passado.
Em relação aos demais preços livres, o que deverá puxar a desaceleração inflacionária é a lenta retomada prevista para a atividade econômica e seus efeitos sobre o mercado de trabalho. Ela destaca, também, que a baixa confiança dos consumidores, aliada ao forte endividamento das famílias e ao menor reajuste do salário mínimo, deve manter a demanda doméstica contraída, facilitando o recuo da inflação dos bens e serviços livres mesmo em um ambiente de redução das taxas de juros.

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