Jornal O Globo
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia vai precisar importar diesel em julho, depois de passar os últimos três meses sem recorrer a cargas do combustível de outros países.
-Nós não precisamos importar diesel nem em abril, nem em maio, nem em junho. Mas agora em julho teremos que importar. Mas só por enquanto, porque já estamos estudando, nesse quinquênio, estudando para como ser autossuficiente em diesel – disse Magda durante o anúncio da retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
Durante a guerra, a Petrobras adiou paradas de manutenção de refinarias para conseguir suprir a demanda local do combustível, sem importar. Hoje, cerca de 30% da demanda nacional é importada, enquanto a Petrobras responde pela produção de cerca de 70% localmente.
Nos três primeiros meses do ano, a companhia registrou aumento de 6,7% no refino de combustíveis. Diesel e querosene de aviação (QAV) foram responsáveis por 68% da produção.
O fator de utilização total do parque de refino da Petrobras foi de 95% no período. Com o conflito no Irã, em março, o número subiu a 97,4%, maior percentual desde dezembro de 2014.
Houve recorde de produção do diesel S10, a 512 mil barris por dia. Considerando todos os tipos de óleo diesel, observou-se aumento de 7,7% no refino em relação ao volume produzido no primeiro trimestre de 2025, para 715 mil barris por dia.
RETOMADA DA UFN-III
Na cerimônia de retomada das obras, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Magda anunciou investimentos de R$ 5 bilhões na unidade, que está com 81% das obras prontas. A construção foi paralisada em 2015. As obras integram o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Magda disse avaliar como ampliar a capacidade de produção de fertilizante. Segundo ela, há estudos para “transformar 35% em 70%”, referindose à fatia de fornecimento à demanda local atendida pela Petrobras. A conclusão dos 19% restantes da unidade é prevista para 2029.