Nova fase da Carbono Oculto mira compra da Terrana e atinge executivo do Banco Genial

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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal deflagraram nesta quinta (24/9) a Operação Crédito Oculto, nova fase da Carbono Oculto, , que investiga o uso de estruturas de lavagem de dinheiro para a compra da Terrana (Tobras Distribuidora de Combustíveis).

Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá, além de Antônio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, primeiro delator oficial do caso do Banco Master e apontado como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Mineiro teve acordo de delação premiada homologado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto.

Ele é investigado por ligações empresariais com Roberto Augusto Leme, o “Beto Louco” e Mouhamad Murad, o “Primo”, foragidos desde a primeira fase da Carbono Oculto, que teve como alvo central a formuladora Copape.

A operação, autorizada pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva (SP), cumpre mandados de busca e apreensão em 29 endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas em sete estados: 26 em São Paulo e um em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A Terrana é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Participam também a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, a Polícia Militar e a Polícia Civil, com apoio do Gaeco dos outros seis estados.

Contas de passagem

O Ministério Público paulista aponta que cerca de R$ 120 milhões circularam em contas de passagem da Aster Petróleo, da SM Serviços Empresariais, da Duvale Distribuidora e da Usina Itajobi antes de integrar a estrutura financeira que comprou a Terrana, no fim de 2024, por R$ 153 milhões.

Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicariam movimentação suspeita por meio dos fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01 e das empresas Berna Holdings e Branson Holdings.

Segundo a Receita, a organização criminosa sobrepôs estruturas societárias e financeiras em duas etapas: primeiro para ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo, depois para viabilizar a aquisição da distribuidora.

Usina blindada por fundos

A usina, identificada na Carbono Oculto, teve a titularidade formal distribuída entre fundos de investimento e empresas aparentemente independentes. Para a investigação, a estrutura preservava o controle econômico do ativo sem revelar os beneficiários reais.

Os investigados teriam usado a infraestrutura do próprio grupo para movimentar recursos da organização e criar novas camadas de ocultação sobre a usina, segundo a Receita.

Um dos principais achados é uma operação de cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos por meio da transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC).

Parte relevante dos recursos usados na compra das cotas veio de fundos controlados pelo mesmo grupo investigado, formando um fluxo circular.

CDB casado

A compra da distribuidora foi estruturada com banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, segundo a Receita.

A usina recebeu em suas contas R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição. Os valores passaram por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo, ocultadas por contas bolsões de fintechs antes de chegar à usina.

A Receita descreve essas contas como “contas de passagem”, em que o dinheiro circulou “em poucos minutos”.

A usina foi então incorporada à carteira de um novo fundo de investimento, criado para o negócio, no qual os R$ 100 milhões foram aportados.

A etapa seguinte envolveu um certificado de depósito bancário vinculado (CDBV). O fundo comprou um CDB no Banco Genial, que usou o dinheiro em uma operação casada: a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas empresas de fachada da própria organização.

Capitalizadas pelo negócio simulado, essas empresas serviram para ocultar os beneficiários finais da compra da Terrana.

A investigação identificou ainda a compra integral das cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis que davam lastro à operação já haviam sido transferidos para empresas patrimoniais e, depois, para fundos imobiliários, o que mantinha os bens sob controle do grupo sem que aparecessem no patrimônio pessoal dos investigados.

As fintechs, por sua vez, movimentaram cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Para a Receita, as estruturas de lavagem foram montadas não apenas pela organização atuante no setor de combustíveis, mas por operadores do mercado financeiro que prestam esse serviço a múltiplos grupos criminosos.

A agência eixos tentou contato com o Banco Genial e com a Terrana, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

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