Petrobras disputará leilão de energia nova com gás natural

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Fonte: Valor Online

A Petrobras estuda participar do próximo leilão de contratação de energia nova, seja como geradora com projetos termelétricos ou como fornecedora de gás natural para usinas. Marcado para 17 de outubro, o leilão será do tipo A-6, que negociará contrato de energia de novos empreendimentos com início de fornecimento em seis anos (2025).
“Olhamos sim [o leilão A-6], seja através de termelétricas, seja através de fornecedor de gás”, afirmou ontem a diretora de Refino e Gás da companhia, Anelise Lara, após participar de seminário sobre gás natural promovido pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), no Rio. Ela disse que existe a possibilidade de formar parcerias para o certame.
Anelise contou que a Petrobras pretende vender 15 de suas 26 termelétricas no país. Segundo ela, a medida faz parte da gestão de portfólio da empresa. “Hoje a Petrobras tem 26 termelétricas. Nossa intenção é vender 15 delas.” “Nós vamos ficar com as térmicas que fazem mais sentido no nosso portfólio. O processo de venda de termelétricas, explicou a diretora, deve ocorrer a partir de 2020.
Questionada sobre risco de desabastecimento de gás natural no país a partir do próximo ano, já que a Petrobras não deverá garantir a totalidade da importação de gás natural da Bolívia, a executiva não acredita nessa possibilidade.
“Não acredito [em desabastecimento]. E vamos trabalhar para evitar isso. Foi colocado pelo CNPE [Conselho Nacional de Política Energética] que a Petrobras passa a ser o fornecedor final se tiver problema no sistema, mas para isso temos que estar preparados. E estar preparado, essa flexibilidade custa. Esse gás que vai ficar disponível em qualquer momento, em caso de uma dificuldade do sistema é como o mercado spot [à vista] de energia, ele é mais caro”, completou Anelise.
Presente ao evento, o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse acreditar que o leilão A-6 deve negociar ao menos uma usina termelétrica a gás. “[A expectativa é que] Saia alguma térmica de grande porte no A-6. Mas vamos ver como vai ser a competição”, disse.
Segundo ele, projetos de ampliação de usinas existentes ou localizados em Estados que já revisaram suas regras para tornar mais atrativo o mercado livre de gás tendem a ser competitivos.
“Onde já existe uma térmica com capacidade adicional, talvez haja preços mais competitivos”, afirmou o secretário. “[Sobre os Estados que estão regulamentando o mercado livre de gás] é uma coisa que está em curso. Vai afetar [os resultados do leilão], mas não dá para prever”.
O diretor e professor da FGV e ex-presidente do Banco Central, Carlos Langoni, que tem atuado como consultor do governo para o processo de abertura do mercado de gás natural do país, afirmou que o resultado do leilão será um indicador para o preço do gás natural para as indústrias no futuro.
“O resultado desse leilão vai ser uma ‘proxy’ do preço do gás natural para o grande consumidor”, disse. “Temos semelhança com essa nova figura do novo consumidor efetivo. Esse preço do gás natural de termelétrica de base é uma excelente ‘proxy’. Vamos ter uma ideia, tanto para o lado da oferta, quanto para o lado da demanda. Um teste importante e definitivo do choque de competitividade”.

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