Petrobras estuda reunir gasodutos do pré-sal e abrir capital

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Fonte: Valor Econômico

Petrobras estuda reunir todos os gasodutos marítimos do pré-sal numa única empresa e, depois disso, privatizá-la por meio de um processo de abertura de capital. Dona de três rotas que ligam os campos da Bacia de Santos até a costa, a petroleira negocia com seus sócios – Shell, Repsol e Galp – a formação de um Sistema Integrado de Escoamento (SIE) e avalia, ao fim, vender parte ou toda a sua fatia no ativo.
O modelo do desinvestimento ainda não está fechado pela estatal. A experiência bem-sucedida com a alienação dos gasodutos terrestres – vendidos diretamente para controladores privados: Engie, no caso a Transportadora Associada de Gás (TAG), e Brookfield, no caso da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) – pode ser uma inspiração.
A informação sobre a possibilidade de realização de uma abertura de capital da empresa que reunirá os gasodutos offshore do pré-sal foi publicada pelo site Petróleo Hoje, da Brasil Energia, e confirmada por uma fonte ao Valor.
A estatal espera concluir ainda neste ano a reestruturação societária de seu sistema de gasodutos marítimos. A Petrobras opera três rotas responsáveis pela interligação dos campos do pré-sal da Bacia de Santos à costa do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas detém participações diferentes em cada um dos gasodutos.
No Rota 3, gasoduto que ainda está sendo construído e que ligará o pré-sal a Itaboraí (RJ), por exemplo, a estatal possui uma participação de 100%. No Rota 2 (cujo destino é Macaé/RJ), por outro lado, a fatia é de 55%, enquanto no Rota 1 (Caraguatatuba/SP) a participação da estatal depende do trecho. A ideia é construir, portanto, um sistema integrado de escoamento, de forma que a estatal e seus sócios tenham participações societárias uniformes em todo o sistema.
Os gasodutos de escoamento levam o gás dos campos do pré-sal até as unidades de processamento de gás natural (UPGNs), na costa. Uma vez tratado, esse gás é, então, injetado na malha de transporte terrestre, para abastecimento ao mercado.
O desinvestimento da Petrobras nos gasodutos de escoamento faz parte de um movimento maior de abertura do mercado brasileiro de gás natural. A companhia assinou um termo de compromisso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para sair integralmente da distribuição e do transporte (gasodutos terrestres) até o fim de 2021. Além disso, a petroleira terá de abrir sua infraestrutura de processamento para outros produtores de gás. Como parte do acordo com o Cade, a estatal entregará, até o fim deste ano, uma minuta de contrato de acesso de terceiros às UPGNs.
Para o diretor-executivo da Gas Energy, Rivaldo Moreira Neto, faz sentido a Petrobras se desfazer de sua participação nos gasodutos offshore. Na avaliação do consultor, esse tipo de negócio é um investimento típico de fundos de pensão, por exemplo.
“É um tipo de negócio que conta com contratos de longo prazo, tarifas pré-definidas e baixo risco. Traz um fluxo de caixa garantido. As petroleiras estão buscando negócios com taxas de retorno mais altas”, afirma ele.
Segundo uma fonte do mercado de gás, que falou sob a condição de anonimato, o sucesso da abertura de capital de uma empresa de gasodutos offshore é uma incógnita, devido ao seu pioneirismo no mercado brasileiro de capitais. A fonte destaca, ainda, que esse tipo de negócio pode atrair investidores interessados em dividendos relativamente estáveis, a exemplo do segmento de “utilities”.
Para a mesma fonte, contudo, ainda falta uma perspectiva mais concreta de oportunidades de expansão do negócio. Ele lembra que o Brasil precisará de novos gasodutos e que existe a expectativa de crescimento nesse sentido, mas que ainda falta um plano de negócios mais bem definido.
Na semana passada, o diretor-presidente da TAG, Gustavo Labanca, comentou sobre um eventual interesse da Engie de investir também em gasodutos offshore e disse que esse não é o foco da companhia, no momento.
“Nossa prioridade é a expansão da malha atual [de gasodutos de transporte da TAG]. Mas se as condições estiverem adequadas e o ambiente regulatório adequado, podemos fazer algum investimento. Não agora, mais para frente, desde que seja primordialmente para conectar [um eventual gasoduto de escoamento] à malha da TAG”, afirmou ele, a uma plateia de empresários do setor, ao ser questionado sobre o assunto.

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