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Fonte: Valor Econômico

A decisão da Petrobras de reduzir em 5,4% o preço médio da gasolina e em 3,5% o preço médio do diesel, na noite de quinta-feira, foi motivada muito mais por uma estratégia de recuperação de mercado do que repasse ao consumidor de uma redução dos preços dos combustíveis no mercado internacional. Passados sete meses desde o lançamento da nova política de preços, a companhia ainda não conseguiu conter os avanços das importações por terceiros e recuperar o mercado perdido.

Em relatório sobre o assunto, o UBS indicou que a companhia começou a ter problemas com relação à sua fatia no mercado de combustíveis domésticos, com o aumento das compras de diesel e gasolina pela concorrência.

Em comunicado divulgado, na semana passada, a Petrobras destacou que a importação de gasolina por terceiros aumentou de 240 milhões de litros em fevereiro para 419 milhões de litros em abril, com previsão de manutenção desse patamar em maio. Com relação ao diesel, a importação passou de 564 milhões de litros em fevereiro para 811 milhões de litro em abril, com previsão de superar 1 bilhão de litros em maio.

“Com isso, as refinarias da Petrobras podem chegar a um fator de utilização abaixo do último dado divulgado pela companhia em seus resultados trimestrais, que foi de 77%”, acrescentou a estatal.

As importações de diesel e gasolina por terceiros ganharam força nos últimos anos, quando a Petrobras decidiu elevar suas margens para recompor o caixa. Com o prêmio elevado, comprar combustível no exterior passou a ser mais barato que comprar das refinarias da estatal. Não demorou para que as empresas passassem a apostar nas importações. Desde o lançamento da política de precificação da Petrobras, em meados de outubro, os preços da estatal nas refinarias caíram, mas dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) indicam que importar ainda continua sendo vantajoso.

De acordo com dados da ANP, no segundo bimestre de 2017, as tradings pediram autorização para importar 3,312 bilhões de quilos de diesel, 47% a mais que o registrado entre janeiro e fevereiro e 49% acima dos pedidos acionados no segundo bimestre de 2016.

Com o aumento das importações por terceiros, o fator de utilização das refinarias brasileiras pode continuar em queda e chegar a 75%, segundo o UBS.

“As margens de refino atuais claramente não são sustentáveis no longo prazo. E devemos ver um nível normalizado de 5% a 10%”, afirmam os analistas Luiz Carvalho e Julia Ozenda, em relatório sobre o assunto distribuído a clientes.

Pelos cálculos do UBS, antes do anúncio de quinta-feira e considerando um custo de importação de US$ 7 por barril, o preço spot (curto prazo) da gasolina europeia estava com um prêmio de 2,9% (e prêmio de 8,9% na média móvel de 30 dias), enquanto o diesel estava com prêmio de 16,4% (e prêmio de 22,4% na média móvel de 30 dias).

Com o reajuste, ainda pelas contas do banco, o preço spot da gasolina passou para uma defasagem de 2,3% e o prêmio spot do diesel caiu a 13,3%.

“Após a recente desvalorização do real por volta de 6% devido aos eventos políticos no Brasil, o prêmio caiu e olhando apenas o spot, essas quedas não fariam muito sentido”, completam os analistas, destacando que a estatal levou em consideração a perda de mercado, ao tomar a decisão de baixar os preços nas refinarias.

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