Petrobras vai rever contrato e deve reduzir importação à metade

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Fonte: O Globo

A Petrobras vai rever o contrato de fornecimento de gás com a Bolívia, que vence no fim do próximo ano. O acordo firmado com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) prevê que a estatal brasileira pode importar até 30 milhões de metros cúbicos por dia. De acordo com a proposta já discutida pelas áreas técnicas da Petrobras, o volume deve ser reduzido para metade deste volume: 15 milhões de metros cúbicos por dia. A quantidade é equivalente ao mercado atendido pela Comgas, no estado de São Paulo.
O contrato de importação de gás boliviano é uma das questões que o futuro presidente da companhia, o economista Roberto Castello Branco, vai analisar. Fontes próximas ao executivo afirmam que ele ainda não tem uma posição a respeito, mas que, provavelmente, vai acompanhar a sugestão da área técnica da companhia, considerando inclusive que a prioridade da empresa será aumentar a produção nos campos do pré-sal.
A Petrobras é obrigada, hoje, por contrato a pagar por 24 milhões de metros cúbicos diários mesmo que não sejam importados. Como nos últimos anos a demanda tem sido baixa, a estatal tem excedente de gás a receber que já foi pago. As discussões entre as estatais dos dois países envolvem ainda o vencimento de um contrato de transporte de gás. Em 31 de dezembro do ano que vem vence o contrato de transporte referente a 18 milhões de metros cúbicos por dia, e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) prepara uma chamada pública para o início do próximo ano afim de checar quais empresas poderiam demonstrar interesse em assumir parte do serviço.
A parceria coma Bolívia neste segmento data demeados da década de 1990, quando foi construído o Gasbol( Gasoduto Bolívia-Brasil ), visto à época como um fator importante para promovera integração llatino-americana. O acordo entre os dois governos para a importação do gás natural foi assinado em 1993. A aproximação, porém, começou a azedara partir de meados dos anos 2000. Ao tomar posse na presidência da Bolívia, Evo Morales, anunciou a nacionalização do setor de petróleo. Em 2006, ele promoveu a invasão de refinarias da Petrobras, que era a petrolífera com maior participação
no país. A estatal acabou vendendo seus ativos no país ao governo boliviano.
A nacionalização do setor de óleo e gás na Bolívia acendeu aluz amarela no Brasil diante da alta dependência que tinha, à época do gás importado. A Petrobras desenvolveu projetos para aumentara produção, construir gasodutos, além de investir em terminais de liquefação de gás no Rio ena Bahia, para viabilizara importação do produto na forma líquida.
Especialistas avaliam que, a médio elongo prazos, o gás da Bolívia terá papel de complemento da demanda. Isso porque a produção deve crescer fortemente a partir de 2022, quando começa a ser produzido e entregue ao mercado o gás dos campos do pré-sal. Hoje, a Petrobras gasta US$ 1,3 bilhão por ano com a compra do montante mínimo de gás da Bolívia.
— O mercado de gás natural, como todo o setor de petróleo e gás, está passando por uma grande transformação. Nos próximos anos, vamos ver o aumento da oferta doméstica de gás e a redução da dependência de importações. As negociações sobre a renovação do contrato com a Bolívia vão ocorrer nesse contexto —afirma Décio Oddone, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo.

NOVO FÔLEGO COM PRÉ-SAL
Segundo projeção da Abegás, que reúne as distribuidoras de gás canalizado, a produção total de gás no país vai passar de 100 milhões de metros cúbicos por dia para 110 milhões em 2002. A projeção indica que, em 2026, o patamar de produção chegue a 140 metros cúbicos por dia.
Para Marco Tavares, sócio da consultoria Gas Energy, mesmo coma revisão do contrato, o mercado vive uma fase de transição:
— A produção no pré-sal vai gerar preços competitivos. E as empresas no Brasil precisam ganhar dinheiro com esse gás. Para isso, estão estudando formas de exportar o excedente de produção no país com estações deli que fação. Como gás do pré sal, podemos iniciara produção de amônia e fertilizantes.
Segundo Márcio Balthazar, sócio da consultoria Nat Gas, é positiva a redução da participação da Petrobras na importação e no transporte do produto, para abrir espaço para a iniciativa privada:
— A Petrobras deve deixar de bancar todo o risco de suprimento integral do mercado brasileiro. O país vai ter novos produtores de gás, transportadores e compradores.
A Petrobras disse que vai avaliar “oportunamente os termose as condições de um novo contrato de importação de gás natural da Bolívia, dentre os quais o volume a ser contratado”. Afirmou ainda que o volume de gás depende do mercado e da disponibilidade.

 

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