Petrobras vê cenário positivo para etanol, mas deixará os biocombustíveis

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Fonte: Portal Udop
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse, nesta segunda-feira (28/11), que enxerga uma perspectiva favorável para o etanol no Brasil. As dificuldades enfrentadas atualmente estão relacionadas a questões do próprio setor do que ao país, afirmou, durante o Unica Forum, promovido pela União da Indústria de Cana-de-açúcar, em São Paulo (SP).

“Existe uma perspectiva extremamente favorável para o etanol como substituto renovável, que tem as vantagens que a gente conhece”, disse Parente, que já presidiu também a entidade que representa as usinas de açúcar e etanol do centro-sul do Brasil.

Parente mencionou os compromissos assumidos pelo Brasil no acordo do Clima, celebrado no ano passado em Paris e ratificado neste ano, em Marrakesh. E lembrou que a maior participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira demandará o dobro da oferta de etanol até 2030 e maior presença do combustível no mercado.

De acordo com o presidente da Petrobras, no ano passado, a composição da demanda de combustíveis foi de 30,2 milhões de metros cúbicos de gasolina, 7,7 milhões de etanol anidro e outros 12,3 milhões de metros cúbicos de etanol hidratado.

Em 2030, a companhia projeta uma demanda de 31,3 milhões de metros cúbicos de gasolina. A participação do etanol anidro deve chegar a 8,1 milhões e a do biocombustível hidratado deve atingir os 17,2 milhões de metros cúbicos. “Há uma série de questões de política pública que precisam ser endereçadas ao setor. Estimular e resolver a incerteza é fundamental. Uma coisa nós resolvemos, que é a política de preço”, disse Parente.

Recentemente, a Petrobras anunciou que deixará a produção de biocombustíveis. E já sob a gestão de Parente, atendeu a uma das principais reivindicações do setor sucroenergético: o de uma política de formação de preços de derivados de petróleo que acompanhe a movimentação do mercado.

Até agora, a petrolífera anunciou duas reduções nos valores dos combustíveis nas refinarias, decisão elogiada apesar do efeito sobre a competitividade do etanol. Na apresentação, Pedro Parente afirmou que será mantida a estratégia de avaliações mensais do mercado, com base na paridade de importação, margem de risco e questões tributárias.

“Estamos praticando essa política com maior frequência, revendo pelo menos uma vez por mês. O fato ter anunciado reduções não significa que será permanente porque está associado a variáveis que vão além do nosso controle”, disse o presidente da Petrobras.

Sobre o plano estratégico e de gestão, Parente disse ainda que estão mantidas as metas de desinvestimento. Para o período 2015/2016, são US$ 15,1 bilhões, chegando a US$ 19,5 bilhões até 2018. “Nossa chance é a de mostrar que esta é a melhor maneira de gerir a empresa”, disse ele. “A Petrobras foi vítima da roubalheira, que beneficiou alguns executivos, empresas contratadas e maus políticos”, acrescentou, em referência às investigações de corrupção feitas na Operação Lava Jato.

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