Ponto de vista: A venda da refinaria da Bahia

Na crise, refinaria da Petrobrás na Bahia lidera produção de combustíveis
01/07/2020
Petróleo sobe mais de 1% após dados sobre estoque dos EUA e manufatura
02/07/2020
Mostrar tudo

Fonte: Tribuna da Bahia

Por: Adary Oliveira

A venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada em Mataripe, no município de São Francisco do Conde, foi anunciada nesta semana como o feito mais importante a ser empreendido pela Petrobras em cumprimento de sua decisão de retirar-se do Nordeste. Depois de vender os campos petrolíferos do Rio Grande do Norte, da Bacia de Tucano, na Bahia, e de colocar a venda os campos de produção e instalações de Alagoas, chegou a vez da sua mais mais antiga e segunda maior refinaria. Entre os candidatos à compra estão o fundo soberano Abu Dhabi Investment Authority (ADIA) pertencente aos Emirados Árabes Unidos, a árabe Mubadala Investment Co. e a China Petroleum & Chemical Corporation (Sinopec).

Não se precisa nem falar da importância da RLAM para a Bahia do ponto de vista histórico, de geradora de riqueza, de promotora do desenvolvimento econômico, de centro propulsor de tecnologia, de parceiro maior do Estado na contribuição tributária e na manutenção e atração de negócios. Seu valor é de tal relevância que não se pode conceber que a negociação da venda esteja sendo feita sem a participação do Governo da Bahia. Qual a melhor das três pretendentes? Qual delas interessa mais à Bahia? Todas elas desejam ficar ou simplesmente estar por uma temporada?

Na região a refinaria de Mataripe é o maior fornecedor de matérias primas para as petroquímicas, relevante supridor de combustíveis automotivos, principal contratante de serviços e indispensável para o Consórcio Nordeste que está se formando. Quem comprar a Refinaria vai levar junto o Temadre, o segundo maior terminal marítimo de líquidos do País. Sozinho esse porto movimenta mais que o dobro das cargas dos portos de Salvador, Ilhéus e Aratu juntos. Não se pode deixar de incluir entre os compromissos de compra a abertura desse atracadouro para movimentação e armazenagem de cargas de terceiros. Isso resolveria o problema de espera dos navios no terminal de líquidos do Porto de Aratu, reduzindo as elevadas somas dispendidas pelos seus usuários com a demurage.

A nova operadora do maior negócio petróleo da região manteria sua sede no Rio de Janeiro ou São Paulo, ou viria para Salvador? Que tal usar as Torres da Pituba para sede? Quantos empregos iria trazer junto? Quanto de ISS arrecadaria para os municípios? Como seria feita a sua interação com as universidades e institutos de pesquisa? De que forma contribuiria para a melhoria do ensino e formação dos profissionais que no futuro iria recrutar? Todas essas indagações sugerem respostas que poderão ser usadas na avaliação de cada um dos pretendentes. Não se deve pensar apenas nos ganhos para Petrobras, mas sobretudo nos benefícios sociais que poderá trazer para toda a sociedade, agora e no futuro.

A certeza que temos é que os árabes e chineses dessas companhias serão muito bem recebidos e não sofrerão por parte de nosso povo nenhuma rejeição. Receberão aqui o tratamento que sempre dispensamos aos imigrantes que adotaram nossa terra para viver, como aconteceu com os portugueses, espanhóis, japoneses, americanos, africanos e tantos outros. Sejam benvindos.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – adary347@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *