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Fonte: Tribuna da Bahia

Na entrada do bairro de Castelo Branco, o posto da rede P&B estava vendendo o litro da gasolina a R$ 3,32, apenas R$ 0,10 a menos que o preço do álcool (etanol). A diferença de preço que já foi de até 70% do preço da gasolina, tornou o álcool ainda menos atrativo para os consumidores, que deixam de lado o combustível que foi lançado no Brasil como a solução para a crise no abastecimento, na década de 70. E como se não bastassem, a gasolina deverá subir esta semana, conforme anúncio da Petrobrás Distribuidora.
Aparentemente não há uma explicação técnica por parte dos donos de postos para a redução da diferença, mas para os consumidores, ela significa muito, uma vez que se atribui ao álcool um menor desempenho do veículo e um maior consumo de combustível. “Acaba saindo mais caro, e com desgastes maior para o carro”, avaliou o mecânico Ubiracy Costa, que trabalha com reparo em motores flex (álcool e gasolina).
No último levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), referente a 15 de abril, o preço médio do litro da gasolina em Salvador estava custando R$ 3,58, enquanto o preço do litro do álcool custava R$ 3,10, uma diferença de apenas R$ 0,48, bem abaixo do percentual recomendável de 70% do preço da gasolina, como mostram os avisos afixados nos postos de abastecimentos em Salvador.

Segundo esse critério adotado pelos donos de postos, com tabelas orientando os consumidores sobre as vantagens e desvantagens no uso do álcool e da gasolina, para ser vantajoso, é preciso que o preço do etanol seja o equivalente abaixo de 70% do preço da gasolina. Com percentual igual a 70%, a opção por um ou outro combustível é indiferente. Na prática significa dizer que se a gasolina custa R$ 3,00 o litro, para ter vantagem no abastecimento com álcool, este teria que custar o mínimo de R$ 2.10 o litro. “A gente quase não abastece com álcool”, diz um funcionário do posto da rede MPM da Djalma Dutra. Ali o álcool estava custando R$ 2,87 , o equivalente a 85,92% do preço da gasolina, que estava a R$ 3,34.

Livre mercado
Desde 16 de março de 2015 que a Agência Nacional de Petróleo (ANP, regulamentou que o percentual obrigatório de etanol anidro combustível por cada litro de gasolina comum fosse de 27%, conforme Portaria Nº 75, de 5 de março de 2015, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Resolução Nº 1, de 4 de março de 2015, do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA). O percentual na Gasolina Premium é de 25%.

Para o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis na Bahia (Sindicombustível), José Augusto Costa, essa redução da diferença de preços entre o álcool e a gasolina é decorrente da atual política de preços, e que fez com que o uso do etanol deixasse de ser vantagem para o consumidor. “Não é apenas em Salvador. Em qualquer capital e estado não é mais vantagem abastecer o carro com álcool”, dispara José Augusto.

Ele cita como fator preponderante os impostos, incluindo o ICMS diferenciado em cada estado e o atrelamento do álcool com a gasolina, na sua composição. “Cada vez que a gasolina aumenta o álcool também aumenta na mesma proporção, com a diferença de que existe o aspecto da sazonalidade na produção de cana-de-açúcar e, no caso da Bahia, como importamos 90% do produto, os custos com fretes, o que acaba inviabilizando a comercialização nos postos”, diz.

Nos sites e publicações especializados sobre combustíveis e desempenho de motores automotivos, é consenso que o uso do álcool só é vantajoso se o litro custar até 70% do valor do litro da gasolina, conforme atestam os próprios donos de postos de combustíveis em Salvador, que afixam cartazes com essas recomendações |à vista do público. Isso porque os carros que abastecidos com álcool consomem, em média, 30% a mais, do que os que são abastecidos com gasolina.

Na calculadora, um veículo que faz 10 quilômetros com um litro de gasolina vai gastar R$ 35,80 para percorrer 100 quilômetros, tomando-se por base o preço médio da gasolina em Salvador (R$ 3,58). Já o mesmo veículo que faz sete quilômetros com um litro de álcool, para percorrer 100 quilômetros, vai ter que consumir 14,3 litros, e ter um gasto de R$ 35,43, praticamente o mesmo custo do carro à gasolina e com uma autonomia de combustível menor.

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