Preço do anidro cai cerca de 20% na entressafra com importação e estoque

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Fonte: Agência Estado

Os preços do etanol anidro acumulam queda de quase 20% nesta entressafra de cana-de-açúcar, de janeiro a março. Perdas assim geralmente ocorrem após abril, quando a colheita de cana ganha ritmo no Centro-Sul do País, principal região produtora do mundo, mas neste ano o movimento de baixa começou mais cedo em virtude da volumosa importação e também dos estoques confortáveis do bicombustível.

Até 24 de março, o preço já havia recuado 19,35% nas usinas paulistas, para R$ 1,6743 o litro (sem impostos), segundo o monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Já em igual período de 2016, a cotação acumulava alta de 5,39%, a R$ 2,0578 por litro. Dessa forma, o valor hoje está 18,64% inferior ao de um ano atrás. Pelos dados mais recentes do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as compras externas de anidro movimentaram US$ 130,6 milhões entre janeiro e fevereiro, 818,6% mais ante os US$ 14 milhões em 2016.

Na contramão, as exportações do setor somaram US$ 115 milhões entre janeiro e fevereiro, baixa de 44,4% ante o primeiro bimestre do ano passado. O resultado é uma contribuição deficitária de US$ 15 milhões por parte do biocombustível na balança comercial brasileira. Os números referentes a março deverão ser divulgados na próxima semana.

Para o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Miguel Rubens Tranin, a importação é de “oportunidade”, pois o produto lá fora está mais barato após a safra recorde de milho nos Estados Unidos (o etanol é feito de cereal naquele país). Entretanto, as compras acabam sendo prejudiciais às usinas brasileiras, que deixam de comercializar o álcool a cotações mais atrativas.

“Isso, de certa forma, é injusto com os produtores e as distribuidoras”, afirmou. Segundo ele, as importações de anidro não fazem sentido, pois os estoques domésticos garantem o abastecimento. Pela Resolução 67/2011, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as usinas e destilarias são obrigadas a formar estoques reguladores de anidro, misturado em uma proporção de 27% à gasolina.

Neste ano, segundo Tranin, as reservas são suficientes para mais de um mês e meio de consumo, ou seja, para além de maio, quando a produção do biocombustível no Centro-Sul já será maior. No acumulado da safra 2016/17, iniciada em abril, até a primeira quinzena de março, a produção de anidro na principal região produtora do País totalizava 10,57 bilhões de litros, ligeiramente acima dos 10,53 bilhões de litros no ciclo anterior, conforme a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Já a de etanol hidratado, usado diretamente nos tanques dos veículos, diminuiu 13,80%, para 14,74 bilhões de litros. Até agora em 2017 o preço do litro do hidratado acumula baixa de 17,66%, a R$ 1,533 por litro. Na entressafra do ano passado, o produto registrava alta de 6,75%, a R$ 1,8424 por litro.

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