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Fonte: O Globo

Sem garantir a manutenção da política de preços da Petrobras, o novo presidente da companhia, Ivan Monteiro, disse ontem que a estatal apoia e irá participar da consulta pública aberta pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre a periodicidade dos reajustes dos combustíveis. Após uma série de reuniões em Brasília, o executivo também afirmou que a aprovação de um projeto de lei em tramitação na Câmara pode destravar as negociações com a União em torno do contrato da cessão onerosa (acordo pelo qual a Petrobras adquiriu o direito de explorar 5 bilhões de barris de petróleo na camada pré-sal) e que pode abrir espaço para a realização de um megaleilão de petróleo, com potencial de arrecadação de R$ 100 bilhões.
— A Petrobras apoia a iniciativa (da ANP), vai aguardar o final da consulta pública e vai contribuir nessa discussão. A Petrobras vai participar com toda a expertise técnica — disse.
A política de preços da Petrobras, que prevê ajustes diários nos preços com base na cotação do petróleo no mercado internacional e na variação do dólar, foi um dos alvos da greve dos caminhoneiros. Com a polêmica, a ANP anunciou uma consulta pública para estabelecer a periodicidade mínima dos aumentos. Monteiro avisou que a Petrobras só tomará uma decisão sobre a política de preços após o resultado da consulta conduzida pela agência, que vai até 2 de julho.
— A gente vai aguardar o resultado da consulta pública que está sendo liderada pela ANP para tomar um posicionamento — afirmou. — A contribuição da Petrobras vai ser sobre sua atuação no mercado. Vamos contribuir muito porque acreditamos que a iniciativa da ANP é muito importante, é ela que vai auxiliar na resolução dessas questões. A discussão aberta com a sociedade é o único caminho.
PÉRIPLO POR BRASÍLIA Monteiro assumiu a presidência da Petrobras no início do mês, depois da renúncia de Pedro Parente, que sempre defendeu publicamente a manutenção da atual política de preços da estatal. O novo presidente fez ontem o primeiro périplo por Brasília depois de ser confirmado na presidência da empresa. Ele conversou com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ministros do Tribunal de Contas da União, Tribunal Superior do Trabalho, e Superior Tribunal de Justiça.
Na Câmara, Monteiro afirmou que o principal tema discutido foi um projeto de lei que trata da cessão onerosa, de autoria do deputado José Carlos Aleluia (DEMBA). O texto autoriza a empresa a vender até 70% da sua participação nos campos, o que hoje não é permitido. Maia quer votar a urgência da proposta ainda nesta semana. Monteiro evitou dizer qual a posição da Petrobras sobre o assunto.
— A posição da Petrobras é de contribuir para o debate do projeto com informações técnicas — afirmou.
Perguntado se o projeto vai acelerar as negociações entre a União e a Petrobras em torno da revisão do contrato de cessão onerosa, Monteiro respondeu:
— Nossa perspectiva é que a gente tenha uma evolução positiva nas discussões com o governo federal (…) Vai ajudar bastante sim, porque vai criar um ambiente mais estável, e é isso que o investidor estrangeiro quer, e o brasileiro também.

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