Presidente da Petrobras: ‘Venda de ativos não é uma escolha, é uma necessidade’

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Fonte: O Globo

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Quase dez meses depois de assumir o cargo, e cercado por liminares e exigências de órgãos reguladores, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirma que a empresa melhorou do ponto de vista operacional, “mas continua tendo a mesma dívida de US$ 100 bilhões, a maior do mundo entre empresas do setor”. Segundo ele, “vender ativos não é uma escolha, é uma necessidade” para garantir o futuro da Petrobras.
A Petrobras está enfrentado uma série de problemas. Um deles com o TCU. Como vai enfrentá-los?
É importante deixar claro que a empresa melhorou do ponto de vista operacional, mas continuava tendo, no terceiro trimestre de 2016, uma dívida liquida acima de US$ 100,3 bilhões. Nossa obrigação é chamar atenção de que, sob o ponto de vista patrimonial, o problema está do mesmo tamanho.
A Petrobras continua em crise?
Ainda é uma dívida extremamente elevada, ainda é a maior dívida de todas as empresas de petróleo relevantes de todo o mundo. Por isso, esse programa de desinvestimento é fundamental para o futuro da Petrobras, porque seu grande objetivo não é pagar dívidas, é viabilizar o nível de investimentos futuros. Porque a dívida tem que ser paga.
O programa de venda de ativos enfrenta forte oposição, principalmente entre sindicatos da categoria…
Existe uma reação ideológica muito grande contra o programa de vendas de ativos e parcerias. Mas essa venda começou no tempo da Graça (ex-presidente da Petrobras Graça Foster), no tempo do PT. Eles venderam campos de petróleo em produção. Fica evidente a inspiração ideológica da discussão.
Que alternativa existe para a venda de ativos?
Este programa não é uma alternativa, não é uma escolha. Ele é uma necessidade, a gente precisa desse programa. Fizemos operações de alongamento do perfil da dívida. Trocamos dívida velha por dívida nova, mas isso não muda o tamanho da dívida.
O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu o programa de vendas de ativos da companhia exigindo mudanças…
O TCU quer melhorar as características do nosso programa para se adequarem melhor aos princípios constitucionais. E o TCU tem divergência antiga com relação ao decreto que deu à Petrobras um regime especial para realizar suas compras.
Quais as principais mudanças exigidas pelo TCU?
Mandamos convite para todos os possíveis interessados que possam se adequar às exigências do projeto, mas não fazemos um edital público. O TCU acha que não está de acordo com os princípios da publicidade. Vamos seguir a orientação do Tribunal, continuar escolhendo, mas vamos dar publicidade.
Essas mudanças nos procedimentos serão retroativas aos negócios já em andamento?
Existem cinco operações que estavam bem adiantadas que pudemos continuar, apesar de duas não terem sido concluídas por liminares (venda dos campos de Tartaruga Verde e Baúna e de campos no Golfo do México). Tem projetos em estágio avançado dentro da sistemática anterior, um terceiro conjunto de transações muito preliminares. Para essas em estágio avançado, a gente não sabe qual vai ser a orientação do TCU. Os ministros vão decidir quarta-feira. É importante ter certeza de que o processo não seja atacado no futuro. O ideal é que o assunto seja definido o mais rapidamente possível.
A venda do controle da Petrobras Distribuidora (BR) está dentro da lista dos projetos que aguardam decisão do TCU?
A BR está dentro desse processo, e tem uma liminar na Justiça também. Se tivermos que recomeçar as negociações, a liminar cai por falta de objeto.
Essa demora na venda de ativos pode afugentar os potenciais interessados?
Sim, pode. Alguns já conhecem o Brasil e entendem essas idas e vindas. Quem não conhece se assusta mais. Não houve desistência formal, mas uma das empresas interessadas já desmobilizou a equipe.
Foi o caso da australiana Karoon, que estava negociando a compra dos campos de Tartaruga Verde e Baúna?
Não posso comentar casos específicos.
Qual é o plano B para este ano, se atrasar a venda de ativos?
Não podemos deixar de pagar as dívidas. Portanto, teríamos que voltar a fazer ajustes nas outras três variáveis, que são a política de preços (dos combustíveis), investimentos e custos.
O que significa mexer na política de preços?
A gente pode tomar a decisão de ampliar um pouco a margem. Mas isso é teoricamente. Do ponto de vista prático, esbarra no risco de perder participação no mercado. Espaço a gente tem em investimentos e em custos. Numa situação como esta, do ponto de vista da facilidade de promover ajuste, é em investimentos.
Então pode ter de cortar mais os investimentos este ano?
É uma possibilidade que a gente vai ter de olhar com atenção, se não pudermos vender ativos. A previsão de investimentos neste ano era de US$ 19,2 bilhões. O programa de desinvestimento é importante para a gente continuar tendo condições de ter produção no futuro. Não é escolha, é necessidade.
E o questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em relação ao uso do hedge (proteção cambial) nos seus balanços?
Existe uma discussão que vem ocorrendo, desde 2013, sobre o uso das exportações para eliminar o risco da variação cambial, que, no nosso caso, é a nossa a dívida. O órgão técnico da CVM pediu a republicação do balanço, mas depois suspendeu a decisão, à espera da posição final da CVM, que é dada pelo seu colegiado. Temos segurança dos nossos critérios, e eles não são questionados fora do país.
E se tiver de pagar dividendos?
A empresa adoraria voltar a pagar dividendos o mais cedo possível. É nosso desejo tratar muito bem nossos acionistas. Agora, com uma dívida deste tamanho, pagar dividendos numa situação em que a empresa poderia não pagá-los é um aspecto bastante complexo dessa discussão.
A Petrobras fez convite a empresas estrangeiras para obras do Comperj que têm problemas em seus países de origem. Mas não convidou brasileiras…
Para as obras da Unidade de Processamento de Gás Natural, convidamos empresas estrangeiras, mas também algumas brasileiras. É uma obra de grande porte, olhamos no universo das empresas que poderiam fazer isso. Não convidamos as que têm elevado Grau de Risco de Integridade, o GRI. Se, na hora da escolha, as estrangeiras tiverem GRI alto, ficarão de fora. Mas o fato de ser estrangeira não é problema, porque cria empregos e riqueza no país.
Como o senhor analisa a mudança das exigências do conteúdo local propostas pelo governo?
É um avanço importante. Tem uma racionalização muito grande, em vez de 90 itens, passa a ter, no caso de desenvolvimento da produção, três itens. Do ponto de vista do que a indústria brasileira pode entregar, não mudou nada, ficou em 25% do total.
Tem percebido interesse dos investidores estrangeiros em investir no pré-sal brasileiro?
Estive num evento em Houston semana passada e vi o grande interesse no pré-sal. Temos feito um trabalho de mostrar que, em relação à Lava-Jato, a Petrobras foi vítima. Quem se beneficiou foi um número reduzido de executivos da empresa, um grupo de empreiteiras e um grupo de maus políticos. Em relação ao interesse no Brasil, é total. As áreas de exploração que provocam maior interesse são o shale gas americano e o pré-sal brasileiro. As mudanças que o governo introduziu na regulação aumentaram o interesse.
A Petrobras vai participar dos três leilões previstos para este ano (um no pós-sal e dois no pré-sal?)
Vamos olhar, sim, o que temos interesse. Lembrando que a gente desenvolveu grande conhecimento sobre o pré-sal. Já perfuramos mais de 200 poços. Tem várias coisas que vão nos interessar, e temos direito de preferência. O endividamento pode impedir que a gente participe de todos os que achamos relevantes, mas não vai nos impedir de participar.
O que é preciso para a Petrobras voltar a negociar com alguma empreiteira envolvida na Lava-Jato?
A gente precisa de que o acordo de leniência seja reconhecido pelas autoridades, pelas instituições do Estado brasileiro. Aí podemos voltar a trabalhar com essas empresas.

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