Incentivo ao etanol
08/11/2016
Sindicombustíveis Bahia promove Campanha Novembro Azul
08/11/2016
Mostrar tudo

Fonte: DCI

A condição climática negativa e o envelhecimento dos canaviais devem resultar em uma quebra de safra para os produtores de cana-de-açúcar da ordem de 40 milhões de toneladas no ciclo 2016/2017. Com o aumento da produção de açúcar, a previsão é de preços altos para o etanol.
Por conta da baixa produtividade, 31 usinas encerraram a safra até a primeira quinzena de outubro, sendo 13 unidades produtoras no período. Dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam queda de produtividade de 13,09% na primeira metade daquele mês.
“No início da safra, as empresas tinham uma expectativa de oferta superior a 640 milhões de toneladas de cana. Se programaram no início de março, mas veio uma condição do clima desfavorável combinado com três geadas”, disse ao DCI o diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues.
Com isso, a Unica prevê a moagem de 600 milhões de toneladas de cana nesta safra.
Após cinco anos seguidos de produção excedente, o mercado global registrou déficit de açúcar na última temporada. Neste período, a Consultoria Datagro, especializada nos mercados de etanol e açúcar, estima o déficit mundial em 7,1 milhões de toneladas.
Para suprir a demanda, o Brasil vai diminuir a produção de etanol de 26 bilhões de litros previstos para esta safra para entre 23 bilhões de litros a 25 bilhões de litros em 17/18. Já a produção nacional de açúcar deve crescer de 34,1 milhões de toneladas neste ciclo, para 36,4 milhões de toneladas no próximo período.
“Nos vamos ter que observar preços de etanol mais elevados durante todo o ano para fazer com que a quantidade de etanol seja coerente com a projeção e quantidade a ser ofertada”, afirmou o presidente da Datagro, Plinio Nastari.
Segundo Padua, da Unica, o aumento nos preços dos combustíveis reduziu a demanda de 1,3 bilhões de litros de etanol. “O consumo vai ficar acima de 1 bilhão de litros e abaixo de 1,1 bilhão litros”, projeta.
A maior demanda pela produção brasileira de açúcar é por conta de quebras em players como Índia e Tailândia.Porém, Nastari entende que este cenário é temporário, já que é cogitada uma produção de 26 milhões de toneladas de açúcar na Índia em 2018/2019, ante as 22,4 milhões de toneladas esperada para 16/17.
Para Padua, o cenário de oferta menor que a demanda “não vai se alterar pelas próximas duas safras”.
Investimentos
Um dos problemas que afetam as unidades produtoras é o envelhecimento dos canaviais brasileiros, o que reduz ainda mais a produtividade.
Segundo o diretor da Unica, são necessários R$ 10 bilhões para a renovação das lavouras. “As empresas veem investindo em renovação de canavial, mas eu diria que 50% do necessário em função do represamento de preços [dos combustíveis] nos anos anteriores e do nível de endividamento”, disse.
A avaliação da Unica é que o clima favorável pode diminuir o nível de perdas na próxima safra, mas mesmo assim haverá queda na produção.
Fernando Barbosa

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *