Recuo da Petrobras em alta da gasolina gera ruído, dizem analistas

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Folha de S. Paulo

O recuo da Petrobras em relação ao aumento no preço da gasolina foi visto com desconfiança pelo mercado, que teme interferência do governo em decisões da empresa às vésperas da eleição.

Em relatório divulgado nesta sexta (11), analistas do BTG Pactual lembram que a Petrobras revogou o aumento em poucas horas “sem fornecer uma explicação detalhada”. O movimento, completam, gera ruídos e enfraquece a credibilidade da companhia.

O recuo foi anunciado pouco antes da 1h de quinta (10), cerca de quatro horas após o comunicado que informou o aumento no preço do combustível. A estatal não informou a causa da mudança. Fontes da empresa e do governo dizem que houve erro de comunicação.

Na quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo pacote para conter os preços dos combustíveis.

O subsídio à gasolina foi elevado de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro. A Petrobras anunciou que ficaria com os R$ 0,19 adicionais, elevando o preço em suas refinarias.

A ideia de Lula é baixar o preço do combustível às vésperas da eleição.

O mercado esperava que a Petrobras subisse seus preços, já que vem operando com elevadas defasagens em relação ao mercado internacional, pressionado pelo recrudescimento dos confrontos no Oriente Médio.

Na abertura do mercado desta sexta, o preço da gasolina vendida pela Petrobras estava R$ 0,97 por litro (ou 32%) abaixo da paridade de importação calculada pela Abicom. Pelas contas do Itaú, a diferença é maior, de R$ 1,08 por litro.

A Petrobras não importa gasolina, o que reduz os impactos da defasagem sobre suas finanças. Mas há grande preocupação com a formação de preços do diesel, para o qual o Brasil depende do mercado exterior.

De acordo com a estimativa da Abicom, a Petrobras está vendendo o produto por menos da metade do preço de paridade de importação, uma diferença de R$ 3,55 por litro. Nas contas do Itaú BBA, a diferença é de R$ 3,13 por litro.

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