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Fonte: IstoÉ

As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil começam oficialmente no sábado (1º) a safra 2017/18 de cana-de-açúcar, com perspectivas não tão otimistas. A partir de projeções já divulgadas por consultorias e compiladas pelo Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), a principal região produtora do País vai processar 585,76 milhões de toneladas da matéria-prima, 2,23% menos ante os números mais recentes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que consideram o acumulado de 2016/17 até a primeira quinzena de março.

Esses 585,76 milhões de toneladas são uma média das estimativas de Archer Consulting, Banco Pine, Datagro, INTL FCStone e Sucden. Dessas instituições, a Sucden é a mais conservadora, ao apostar em processamento de 567 milhões de toneladas (-5,37%). Já a Datagro figura como a mais otimista, com 612 milhões de toneladas (+2,14%). A Unica, cujas previsões são um importante balizador para o mercado, costuma apresentar seus números em abril.

Pelos mesmos cálculos, a fabricação de açúcar em 2017/18 tende a alcançar 35,50 milhões de toneladas, incremento de apenas 0,41% em comparação com o período anterior. A de etanol, por sua vez, deve recuar para 24,29 bilhões de litros (-4,06%).

A baixa renovação de canaviais e os problemas climáticos no ano passado explicam os prognósticos pouco favoráveis para a safra 2017/18. A expectativa é de que o plantio tenha atingido somente 10% da área, abaixo dos 18% a 20% ideais.

Conforme o Banco Pine, a idade média das plantações deve atingir 3,6 anos neste ciclo, próxima da de 3,5 anos observada em 2011/12 e acima dos 3 anos recomendados. Quanto ao clima, se destacam as estiagens, chuvas em excesso e até geadas que castigaram as áreas produtoras ao longo de 2016. Segundo o Pine, temperaturas inferiores a 20 graus foram observadas até dezembro, retardando o desenvolvimento dos canaviais.
A expectativa é de que a produção de açúcar tenha incremento nesta temporada, ainda refletindo as atrativas cotações do alimento na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), apesar da queda recente. “O indicativo que continua se destacando como o motivador para a tomada de decisão das usinas são preços internacionais elevados do açúcar, que tornam o produto mais competitivo em relação ao etanol”, disse a INTL FCStone.
Nesta quinta-feira, o valor demerara oscila próximo de 16,70 centavos de dólar por libra-peso na ICE Futures US e, segundo a Archer, 52,4% da exportação brasileira já estava com preços fixados até fevereiro.

No caso do etanol, a fabricação deve cair por causa da menor oferta de cana e do mix mais açucareiro. Mas “esse cenário de queda na produção do bicombustível pode ser alterado de maneira radical ao longo da safra caso haja aumento nos preços do barril de petróleo, o que induziria aumento na gasolina e, assim, maior procura pelo biocombustível nas bombas”, ponderou a INTL FCStone.

Pelo levantamento mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o litro do etanol hidratado nas usinas paulistas (sem impostos) está em R$ 1,533, 16,79% inferior ao de um ano atrás. Já o do anidro, misturado em até 27% à gasolina, em R$ 1,6743 (-18,64%).

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