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Fonte: Valor Econômico
As transações comerciais no valor de US$ 2,2 bilhões são, para a Total, apenas um detalhe da parceria firmada na última semana com a Petrobras. Segundo Maxime Rabilloud, diretor geral da Total E&P do Brasil e principal executivo da petroleira francesa no país, a aliança entre as duas empresas permitirá a redução de custos de projetos de exploração e produção, em uma época de baixo preço do barril de petróleo. Além disso, o acordo vai ampliar a participação da gigante europeia no mercado petrolífero brasileiro e abrir caminho para atuar em comercialização de gás natural e geração de energia elétrica. Com a parceria e os demais projetos da sua carteira, a Total prevê investir US$ 1 bilhão por ano no país, nos próximos anos. “Queremos crescer no Brasil. É uma decisão estratégica no sentido literal. Estratégia no sentido de que vamos deixar de investir em outros lugares do mundo para investir no Brasil”, afirmou Rabilloud, ao Valor. Presente no Brasil desde 1975, a companhia investiu US$ 2,5 bilhões nos últimos quatro anos no país, onde atua desde a exploração de petróleo até a fabricação de lubrificantes e produtos químicos, com um total de 2.500 funcionários. “Essa aliança não está aqui para fazer um ‘deal’ [negócio]. Ela está aqui para se perpetuar. Sem dúvida, vamos continuar falando com a Petrobras no longo prazo, para fazermos outras coisas juntos”, completou o executivo. Junto com Estados Unidos, Rússia e Irã, o Brasil é um dos países estratégicos para a Total, que possui experiência em águas profundas. Segundo Rabilloud, o Brasil concentra um grande volume de recursos naturais e um atrativo mercado consumidor. Com uma produção mundial de 2,4 milhões de barris de óleo de equivalente por dia, a Total é a única das chamadas “majors” que não tem produção de petróleo em seu país de origem. Apesar de ainda não produzir petróleo no Brasil, a Total formou um portfólio relevante no país, composto por 17 blocos exploratórios, incluindo a participação de 20% no campo gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. Se todas as negociações envolvendo as áreas de “upstream” [exploração e produção] incluídas na parceria com a Petrobras forem aprovadas pelas autoridades, a companhia vai incorporar à sua carteira uma fatia de 22,5% na área de Iara, no Bloco BM-S-11, e se tornará produtora de petróleo no país, por meio da participação de 35% e a condição de operadora no campo de Lapa, no bloco BM-S-9, cuja produção começou em dezembro, também no pré-sal da Bacia de Santos. Questionado sobre o risco de o Tribunal de Contas da União (TCU) recusar a venda dos ativos da Petrobras, Rabilloud disse que a Total vai cumprir “cabalmente” qualquer decisão das autoridades brasileiras, mas que acredita que o tema estará equacionado no prazo de 60 dias previsto no acordo. Além disso, o executivo destacou que a essência da parceria é a colaboração entre as companhias para reduzir custos exploratórios. “A essência dessa aliança é a sobrevivência. O preço do barril [de petróleo], do nosso produto, passou de US$ 115, US$ 120 para US$ 40, US$ 50”, ressaltou Rabilloud. “O objetivo dessa aliança não é ser bom [rentável] a US$ 50, US$ 60 o barril. É ser bom com o barril a US$ 30, talvez a US$ 20. Por isso que ela [a parceria] tem um propósito de ser perene”, disse, lembrando que as duas empresas atuaram juntas, pela primeira vez, entre 1979 e 1980, quando a Total contratou a brasileira para um projeto de exploração e produção na Angola. A aliança também ocorre em um momento favorável para a Total no país, onde acabou de obter da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a extensão do prazo de exploração nos blocos na Bacia da Foz do Amazonas, arrematados em leilão em 2013. Com isso, a matriz na França já aprovou um investimento da ordem de US$ 300 milhões na região a partir de 2017. Com a extensão do prazo exploratório na Foz do Amazonas, a Total agora trabalha com a possibilidade de participar de novos leilões no Brasil em 2017, principalmente o segundo leilão de áreas do pré-sal, que ofertará a área unitizável – quando a jazida ultrapassa o limite do bloco e se estende para áreas não licitadas – de Gato-do-Mato, onde a petroleira já possui 20% de participação, em sociedade com a Shell, operadora, com 80%. Rabilloud também disse que a companhia vai estudar as áreas que serão licitadas na 14ª Rodada da ANP. Com relação à Libra, o executivo francês estima que o primeiro óleo do campo seja extraído no segundo ou terceiro trimestre de 2017, por meio de um teste de longa duração (TLD). Segundo ele, a Petrobras, operadora de Libra, com 40% de participação, tem obtido redução de custos de equipamentos submarinos da ordem de 35%. “O pré-sal não existiria se não fosse a audácia da Petrobras”, diz Rabilloud, que fala fluentemente o português. Ele iniciou sua carreira nos anos 1990 no Brasil em um escritório de advocacia. Casado com brasileira, ingressou na Total em 1999, onde ocupou várias posições em vários países. Retornou ao país em março de 2015 para o cargo no qual está hoje.

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