VOLATILIDADE À VISTA COM NOVA POLÍTICA DE PREÇOS DA PETROBRAS

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FONTE: O GLOBO
Para especialistas, papeis da estatal vão acompanhar mais de perto o sobe e desce da cotação do petróleo Na última semana, os brasileiros começaram a se adaptar àquilo que é uma realidade em países como os Estados Unidos: o preço da gasolina tem a ver diretamente com o do petróleo. Desde 3 de julho, o valor de combustíveis vendidos pela Petrobras pode ser reajustado a qualquer momento, inclusive diariamente — uma revolução para uma empresa cuja história recente foi marcada por prejuízos provocados justamente pela defasagem de preços. A única regra é que a variação acumulada esteja dentro de uma faixa determinada, de 7% para mais ou para menos. De acordo com especialistas, para os investidores, a medida representará maior transparência e evitará distorções, mas também trará uma dose maior de volatilidade aos papéis da estatal.
— Se, para os consumidores, os reajustes significam oscilação de preço, eventualmente todos os dias, para a Petrobras, significa estabilidade, pois ela conseguirá manter as margens de retorno do seu negócio — explicou Pedro Galdi, analista da consultoria Upside.
“A política de preços é um passo muito importante para a Petrobras. Na nossa opinião, ela ajuda a reduzir o risco de investimento na companhia: aumenta a probabilidade dos resultados da companhia ao permitir que a Petrobras maximize a utilização de suas instalações de refino e pavimenta o caminho para outros movimentos estratégicos, como potencial venda de ativos de refino”, afirmaram os analistas Rodolfo Angele e Felipe Dos Santos, do JP Morgan, em relatório enviado a clientes sobre a nova política de preços.
Galdi, da Upside, enxerga na nova política de preços uma oportunidade de afastar a influência política do balanço da estatal. Ele lembrou que, durante o governo Dilma Rousseff, a estatal perdeu bilhões de reais ao manter os preços dos combustíveis locais depreciados em relação aos valores praticados no mercado internacional. O objetivo era reduzir o impacto na inflação.
— A empresa estava antes desfocada do negócio dela porque precisava atender a uma demanda política. Agora, está adotando uma nova postura, que afasta o risco de interferência política porque acompanha o mercado — disse o analista.
Mas, segundo Alexandre Wolwacz, da Escola de Investimentos Leandro&Stormer, se por um lado os investidores vão ganhar em transparência e previsibilidade com a nova política de reajustes, terão que conviver com nível maior de volatilidade nos papéis.
— A volatilidade que observamos no preço do barril de petróleo no mercado internacional vai se refletir de maneira muito mais intensa nos papéis da companhia. Isso, aliás, já vem acontecendo nos últimos pregões, nos quais o comportamento das ações esteve bastante ligado ao do barril do tipo Brent — observou o especialista. — É óbvio que, se a empresa consegue fazer ajustes de maneira mais imediata, ela é mais ágil e transparente, mas, ao mesmo tempo, isso se reflete em volatilidade. ANALISTA MANTÉM RECOMENDAÇÃO DE COMPRA Mas o principal problema, de acordo com Wolwacz, é que o panorama para o petróleo não é positivo. Os mercados seguem com excesso de oferta, com a produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tendo atingido seu pico este ano. A produção tem crescido em países como Arábia Saudita (que sofre com problemas orçamentários justamente por causa do baixo preço da commodity), Líbia (cuja extração se recupera em meio ao esfacelamento político do país) e no próprio Brasil.
Na semana passada, o ministro de endergia russo, Alexander Novak, causou preocupação quando disse que o pacto global para redução da produção organizado pela Opep e por outros grandes produtores tem funcionado satisfatoriamente e que o prolongamento dessa medida não seria necessário.
Luis Gustavo Pereira, estrategista chefe da Guide Investimentos, lembra que, além de afetar o faturamento da empresa, uma queda no preço da commodity também depreciaria os ativos da estatal que estão à venda.
— Se o petróleo cai, a receita cai, e os ativos ofertados pela Petrobras também perdem atratividade. Com isso, o endividamento da empresa continuará elevado. É um círculo vicioso. Ou virtuoso, quando o óleo entra em uma tendência de alta — avaliou.
Mesmo com a pressão que o preço do petróleo deve sofrer, a recomendação é de compra dos papéis da Petrobras, mas tendo como fator de risco a volatilidade a curto prazo.
— Ainda recomendamos compra, devido ao plano de desinvestimentos da Petrobras. Mas é preciso agir com cautela a curto prazo devido à variação do preço do petróleo — disse.

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