Governo amplia subsídio ao diesel e gás de cozinha e zera taxa para aviação

Pacote do governo Lula para combustíveis sobe para pelo menos R$ 40 bi
07/04/2026
Durigan pede adesão de distribuidoras a subvenções do governo federal ao diesel após resistência das maiores empresas 
07/04/2026
Mostrar tudo

COMBUSTÍVEIS Subvenção extra será de R$ 0, 80 por litro para produtores nacionais e de R$ 1, 20 por litro na importação, para tentar conter os efeitos da guerra no Irã

Folha de São Paulo

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (6) a criação de um subsídio extra sobre os preços do diesel e do gás de cozinha, além da decisão de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação.

As medidas representam uma nova tentativa do Executivo de conter os efeitos da guerra no Irã sobre os preços de combustíveis e passagens aéreas, cujos aumentos preocupam o presidente Lula em ano eleitoral.

Com as novas ações, o subsídio direto ao preço do diesel vai subir dos atuais R$ 0,32 para R$ 1,12 por litro, no caso do produto nacional, e para R$ 1,52 por litro sobre o combustível importado. Os benefícios virão acompanhados de medidas mais duras para punir aumentos de preço considerados abusivos, incluindo um projeto de lei para criminalizar a conduta e torná-la passível de prisão.

Segundo o ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), as medidas com impacto direto sobre os preços terão duração de dois meses, prorrogáveis por mais dois. No caso do subsídio ao diesel, a expectativa inicial é encaixá-las dentro dos R$ 10 bilhões já destinados em março à criação da primeira subvenção (de R$ 0,32), mas esse limite pode ser ampliado se houver necessidade.

“Nós estamos mantendo a mesma previsão: daqueles R$ 10 bilhões que a gente esperava que tivesse de recurso do Imposto de Exportação [de petróleo, medida arrecadatória para compensar os impactos]. Dentro desse mesmo espaço, nós vamos fazer essas outras subvenções”, afirmou o ministro Dario Durigan (Fazenda).

Para implementar o conjunto de medidas, o governo vai editar uma MP (medida provisória), com vigência imediata, e decretos para alterar a tributação de combustíveis. Também vai enviar um projeto de lei em regime de urgência para tratar da criminalização do aumento abusivo de preços.

A MP vai instituir uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no país, que terá duração inicial de dois meses (prorrogáveis por mais dois) e se soma ao primeiro subsídio de R$ 0,32. Segundo Moretti, esse benefício deve custar cerca de R$ 6 bilhões (ou seja, R$ 3 bilhões por mês), a serem bancados integralmente pela União.

O Executivo ainda vai instituir um subsídio adicional de R$ 1,20 por litro de diesel importado, também por dois meses. O custo, estimado em cerca de R$ 4 bilhões, será financiado em conjunto por União e estados (cada parte vai honrar 50% do custo, o equivalente a R$ 0,60 por litro). O benefício também se soma à subvenção inicial.

Segundo Durigan, apenas dois estados ainda não sinalizaram adesão, mas ele disse ter expectativa de que a participação acabe sendo unânime. O ministro preferiu não revelar quais ainda não indicaram interesse, mas deu a entender que o Rio de Janeiro é um deles. O estado está sob o comando interino do desembargador Ricardo Couto.

“Eu não vou mencionar os estados [que não indicaram adesão]. Mas eu vou dizer o seguinte: tem questões internas de política nesses estados. Eventualmente, você tem que validar como um governador que muitas vezes não está ou está trocando”, afirmou.

As duas medidas geram um custo adicional de R$ 8 bilhões para a União (já descontada a parcela bancada pelos estados). Como a subvenção inicial custaria R$ 2 bilhões nos primeiros dois meses, o governo entende que os R$ 10 bilhões já destinados via crédito extraordinário em março serão suficientes num primeiro momento.

“Avaliando no fim de maio que o conflito permanece, a gente pode vir a tomar novas decisões”, afirmou Moretti.

EMPRESAS AÉREAS

Pelo lado das receitas, o governo federal também decidiu zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel, com impacto de R$ 0,02 por litro do diesel vendido nas bombas (que tem biodiesel em sua composição), e o QAV (querosene de aviação). Na semana passada, a Petrobras anunciou um reajuste de 55% no preço do combustível dos aviões – depois, decidiu parcelar o aumento para diluir os impactos sobre as aéreas.

Segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o reajuste terá grandes impactos para o setor. No cálculo da entidade, somado ao aumento de 9,5% em março, o combustível agora representa 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Antes, esse percentual era de 33%.

De acordo com o Executivo, a isenção do tributo sobre o QAV terá um impacto de R$ 0,07 por litro do combustível. O impacto é estimado em cerca de R$ 100 milhões por mês e será compensado por um aumento no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre cigarros.

As aéreas ainda terão acesso a duas linhas de crédito. Uma delas, voltada a dar capital de giro, emprestará até R$ 1 bilhão, com garantia da União (que honrará os pagamentos em caso de inadimplência). A segunda linha vai direcionar até R$ 7,5 bilhões (sendo R$ 2,5 bilhões por companhia) para ajudar na reestruturação financeira das empresas, sob operação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). As condições de contratação ainda não foram divulgadas.

As medidas se somam à isenção de PIS/Cofins sobre o diesel produzido no Brasil ou importado, anunciada em março e que pode custar até R$ 20 bilhões se perdurar até o fim do ano. O ministro do Planejamento, porém, ressaltou que o decreto permite a reavaliação da política, caso haja o fim do conflito. Em quatro meses, o impacto é menor, estimado em R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões.

Segundo Durigan, todas as ações serão compensadas pelo imposto de exportação sobre o petróleo, instituído em março e que pode render R$ 31 bilhões até o fim do ano pelas estimativas oficiais. “A meta fiscal está mantida”, disse.

O governo reconheceu que, em decorrência do aumento dos preços de petróleo, a arrecadação com royalties e tributos sobre o faturamento das empresas ligadas ao setor também será maior. Simulações com o petróleo Brent a US$ 90 apontam um incremento potencial de R$ 40 bilhões nas receitas da União, afirmou Moretti.

No pacote de medidas, o Executivo também anunciou uma subvenção de R$ 850,00 sobre cada tonelada de GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha) importado, com o objetivo de que o produto importado seja comercializado no Brasil pelo mesmo valor do item nacional. O valor corresponde a cerca de R$ 11 por botijão de 13 kg.

Segundo Moretti, o governo vai habilitar importadores e bancar a diferença de preços entre o praticado no Brasil e no mercado internacional. A medida vai durar dois meses, prorrogáveis por mais dois, com custo estimado em R$ 330 milhões.

Com o novo pacote, o governo espera obter maior adesão das distribuidoras de diesel. Até agora, o efeito prático das medidas não chegou a todos os consumidores porque três gigantes do setor (Vibra, Ipiranga e Raízen), responsáveis por metade das importações privadas do combustível, não aderiram à política.

O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) disse que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) também terá o poder de interditar postos que pratiquem preços considerados abusivos. Outra medida prevê a responsabilidade solidária do sócio do estabelecimento. (Folhapress)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *