Inflação nos EUA em junho foi menor que a prevista e animou mercados
Jornal O Glob
Aumento de 30% para 32% deve evitar inflação no combustível como efeito da guerra. Trump anunciou recuo da ideia de cobrar “pedágio” em Ormuz.
Os preços do petróleo no mercado internacional voltaram a subir ontem com as tensões entre EUA e Irã, e o barril do Brent (referência internacional) avançou mais 1,72%, a US$ 84,73, o maior nível em um mês. Durante o pregão, o barril chegou a superar US$ 87, mas o recuo do presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito da cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz fez com que alta perdesse parte do fôlego.
No acumulado de julho, após o fim da trégua na guerra que tinha derrubado as cotações, o barril já subiu 16,2%.
Como o avanço da cotação do petróleo favorece as exportações da Petrobras e atrai divisas, o dólar no Brasil fechou ontem no menor nível desde o início de junho. A divulgação da inflação do mês passado nos EUA abaixo da prevista pelo mercado favoreceu o recuo da moeda americana em relação ao real. No fim da sessão, o dólar fechou a R$ 5,07, queda de 1,05%. O real teve a maior valorização sobre o dólar na comparação com 31 moedas mais negociadas no mundo.
O CPI, na sigla em inglês, que mede a inflação ao consumidor nos EUA, teve deflação de 0,4% no mês passado, enquanto o mercado previa recuo de 0,1%. O núcleo do indicador, que exclui o aumento de preços mais voláteis, como alimentação e preços de energia, ficou estável (zero), enquanto o mercado esperava alta de 0,2%. Ainda assim, em 12 meses, o indicador sobe 3,5%.
-O dado tirou uma pressão do Fed (Federal Reserve, banco central americano) em subir juros, o que traz fluxo para emergentes – avalia Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank.
Ontem, a previsão de mercado sobre a possibilidade de o Fed elevar a taxa básica na reunião do fim deste mês caiu de 49% para 16%. No Brasil, os juros futuros acompanharam os rendimentos dos títulos americanos e caíram.
O Ibovespa subiu 0,51% (176.641 pontos).
-Os direcionadores das últimas sessões têm sido o comportamento do petróleo e como deve se comportar a política monetária diante de indicadores de inflação – diz Marcos Kawakami, do banco BNP Paribas no Brasil.