Com a alteração, tanque cheio pode render menos

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Diferença entre combustíveis impediria queda significativa de preços. Para o motor, impacto é maior nos importados

 Jornal O Globo

Amudança no percentual de etanol misturado à gasolina deve ter pouco impacto no orçamento do motorista, embora ajude a reduzir importações de combustíveis em um momento de volatilidade no mercado de petróleo. Especialistas apontam que, embora a alteração tenha potencial para reduzir um pouco os preços, a diferença de rendimento pode elevar o consumo.

Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, diz que a queda de preços, estimada no mercado em 2%, pode se tornar imperceptível para o consumidor.

-Neste momento, o preço pode cair um pouco na bomba. Mas, com o aumento da mistura, o consumo do carro também aumenta. No fim do dia, o motorista pode não perceber uma queda relevante no gasto com combustível, porque vai consumir mais. A lógica do governo ao aumentar a participação do etanol está correta, mas o erro é subsidiar o combustível fóssil e, ao mesmo tempo, aumentar a mistura. Os preços do etanol são livres, os da gasolina, não -afirma.

Outra preocupação com a nova composição é o impacto no motor. Para o professor Marcio D’Agosto, da Coppe/UFRJ, a mudança não afeta de forma significativa o equipamento nem deve aumentar as manutenções. A exceção, porém, são os veículos importados.

– No Brasil já há muita frota de veículos flex. Não há diferença por conta de tecnologia, mas, para os importados, sim -diz.

A alteração não deve impactar veículos seminovos, que já possuem a tecnologia. No caso de montadoras que trazem o veículo de fora do país, elas até já programam a combustão do carro com algum nível de etanol, mas o aumento do percentual pode deixar o motor menos responsivo:

– Os motores dos carros importados são feitos para serem usados com a gasolina daqueles países. Os fabricantes que trazem esses carros até fazem alterações eletrônicas. Mas, com o aumento do percentual do etanol aqui, pode ser que haja perda no rendimento, já que ele tem poder calorífico menor -diz.

Associações do setor de combustíveis, entre importadores, postos e revendedores, afirmam que, como o etanol tem menor densidade energética, o motorista poderá ter um gasto maior para percorrer a mesma distância. Este é o fator, segundo especialista do setor, que impede queda maior de preços. As entidades ponderam que o aumento da participação do etanol exige ajustes regulatórios nas especificações da gasolina, como na octanagem (índice que mede a resistência do combustível à detonação prematura e influencia no desempenho do motor).

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