Projeto prevê produção de 1 bilhão de litros de biocombustíveis por ano a partir de 2029; obras devem gerar 3.600 empregos
Folha de S. Paulo
rio de Janeiro A Acelen Renováveis anunciou nesta quinta-feira (21) que fechou o financiamento de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões) para a construção de uma biorrefinaria na Bahia. O projeto prevê a produção, a partir de 2029, de diesel renovável e SAF, o combustível sustentável de aviação.
A iniciativa tem investimento total de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) e, segundo a companhia, “posicionará o Brasil entre os principais polos globais de combustíveis sustentáveis para aviação e transporte pesado, ampliando a segurança energética do país”.
A Acelen é controlada pelo fundo árabe Mubadala Capital e opera a refinaria de Mataripe, a segunda maior do país, comprada da Petrobras em 2021.
O projeto tem capacidade para produzir 1 bilhão de litros de biocombustíveis por ano, com o uso tanto de matérias-primas tradicionais, como o óleo de soja, quanto da macaúba, “uma cultura nativa brasileira com alto potencial para biocombustíveis avançados”.
A Acelen prevê cultivo em 144 mil hectares de áreas degradadas, com 20% da área destinada a parcerias com agricultura familiar e pequenos produtores.
“O modelo busca combinar regeneração produtiva, inclusão social e descarbonização, alinhado às melhores práticas globais de sustentabilidade e desenvolvimento de baixo carbono”, afirmou a companhia.
A biorrefinaria será construída em uma área industrial em São Francisco do Conde (BA), na região metropolitana de Salvador, onde está Mataripe. A expectativa é gerar cerca de 3.600 empregos diretos e indiretos no pico das obras.
O financiamento do projeto reúne dez instituições financeiras nacionais e internacionais, entre bancos árabes, bancos internacionais de fomento como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e bancos privados.
Segundo a empresa, cerca de 90% da produção futura dos biocombustíveis já está comprometida em contratos. O SAF é importante para a descarbonização do setor aéreo, um dos setores considerados mais difíceis para redução de emissões de gases do efeito estufa.
Já o diesel renovável é uma aposta também da Petrobras, para substituir no futuro o diesel de petróleo na descarbonização do transporte de carga.