Alemanha eleva subsídios para carros elétricos

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Fonte: Valor Econômico

O governo da premiê Angela Merkel e as montadoras alemãs chegaram a um acordo para aumentar os incentivos financeiros para os automóveis elétricos, intensificando um esforço para esse setor fazer a transição de motores a combustão por elétricos e cortar a emissão de gases poluentes.
Um chamado bônus ambiental será elevado em 50% para até € 6 mil (US$ 6.680) por veículo elétrico e a indústria automobilística continuará cobrindo metade do custo, segundo informou ontem Steffen Seibert, o principal porta-voz de Merkel.
As mudanças passarão a valer neste mês e irão até 2025, segundo Bernhard Mattes, presidente do lobby automobilístico alemão VDA. “Desse modo, será possível fornecer suporte a outros 650 mil a 700 mil carros elétricos”, disse Seibert.
As medidas foram acertadas na noite de segunda-feira em Berlim, entre Merkel e diretores das montadoras, fornecedores de autopeças e sindicatos, incluindo os presidentes-executivos da Volkswagen (VW), BMW e Daimler.
O acordo foi fechado um dia depois de Merkel visitar uma fábrica de carros elétricos reformada em Zwickau, no leste da Alemanha. A premiê vem sendo pressionada por não conseguir maiores avanços na contenção das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, enquanto que a VW – maior montadora do mundo – vem investindo bilhões de euros na mudança para os veículos elétricos.
O Programa de Proteção do Clima 2030, anunciado por Merkel em setembro, tem como objetivo chegar a 10 milhões de carros elétricos nas vias públicas alemãs até 2030, uma meta que para a maioria dos especialistas do setor é inviável, mesmo com subsídios generosos.
No começo do ano, havia cerca de 430 mil veículos elétricos e híbridos na frota nacional de 47 milhões, segundo o Centro de Pesquisas Automotivas da Universidade de Duisburg-Essen.
Merkel classificou os desafios que o setor enfrenta de “uma mudança de paradigma na mobilidade jamais feita na história da indústria automobilística”.
A Alemanha está reduzindo a distância com a Noruega na liderança europeia, com vendas de quase 53 mil carros elétricos neste ano, segundo a KBA, a autoridade federal de transportes motorizados. Em termos per capita, porém, ela continua bem atrás da Noruega e ainda não está claro quantos consumidores alemães acabarão mudando para os carros elétricos num país com uma rica herança automobilística centrada nos motores a combustão.
Os subsídios fazem a diferença porque os custos mais altos do desenvolvimento do veículo e das baterias aumentam o preço final de um carro elétrico. O ID.2 da VW, por exemplo, terá o preço inicial de pouco menos de € 30 mil, enquanto que a versão mais barata do novo Golf movido a motor a combustão será vendida por menos de € 20 mil.
O esforço do governo para promover os carros elétricos inclui o aumento do número de postos de recarga para 50 mil em dois anos, segundo Seibert. As montadoras ajudarão a financiar 15 mil desses postos até 2022. A BMW disse que vai instalar 4,1 mil pontos de recarga na Alemanha até 2021, com cerca de metade deles abertos ao público.
“Vejo isso como uma grande oportunidade para aumentar a demanda, o que será bom para nós”, disse ontem em entrevista Klaus Rosenfeld, presidente-executivo da fornecedora de autopeças alemã Schaeffler. “Qualquer coisa que ajude a alcançar essa transformação na mobilidade, a aumentar a demanda do consumidor, é boa para nós, de modo que nesse sentido elogiamos a decisão tomada hoje”, acrescentou.
Merkel disse domingo, num podcast, que o foco do governo está na promoção dos veículos elétricos, mas que também está aberto para a tecnologia do hidrogênio. Segundo ela, o objetivo é ter 1 milhão de postos de recarga em funcionamento até 2030.
Mas o pacote de medidas climáticas de US$ 60 bilhões de Merkel não conseguiu devolver a ela a reputação de campeã do meio ambiente. Críticos classificaram as medidas, como a tributação extra a voos, como insuficientes para uma “emergência climática”, enquanto que economistas disseram que as propostas do preço do carbono são tímidas demais para estimular a redução das emissões.
Grandes empresas do setor e alguns líderes sindicais criticaram a postura isolada da Alemanha, alegando que isso colocará em risco empregos e empresas.
Ferdinand Dudenhoeffer, diretor do Centro de Pesquisas Automotivas, estima que cerca de 5 milhões de carros elétricos e híbridos serão registrados até 2030. Chegar a isso seria uma conquista, disse ele em setembro.

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