Após guerra no Irã, Brasil é quarto maior exportador de petróleo para Índia

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Folha de São Paulo

Refinarias indianas recorreram a importações de petróleo da América Latina e da África depois que os suprimentos do Oriente Médio foram interrompidos devido à guerra de Israel e dos EUA contra o Irã, que restringiu a navegação no estreito de Hormuz.

Até o início da guerra, em 28 de fevereiro, as refinarias do terceiro maior importador e consumidor de petróleo do mundo compraram no Oriente Médio a maior parte de sua necessidade de petróleo bruto.

Já em abril e maio, as refinarias indianas aumentaram as importações da Venezuela, Brasil, Angola e Nigéria para compensar o déficit, além de continuar comprando petróleo russo, segundo dados preliminares da Kpler, que monitora a navegação em todo o mundo.

No mês passado, a Índia deixou de comprar petróleo do Iraque quando as exportações foram interrompidas e recebeu petróleo iraniano depois de um intervalo de sete anos, após uma isenção temporária concedida por Washington para ajudar a estabilizar os preços globais do petróleo.

Nova Déli reduziu as importações da Rússia em cerca de 29,4% em relação a março, para 1,6 milhão de barris por dia, uma vez que a Nayara Energy fechou sua refinaria de 400 mil barris por dia para manutenção, segundo os dados.

Porém, em maio, a Índia deve receber cerca de 1,9 milhão de bpd (barril de petróleo por dia) de petróleo russo e cerca de 41 mil bpd de petróleo iraquiano, de acordo com dados preliminares da Kpler.

Ao todo, a Índia importou 4,57 milhões de bpd de petróleo em abril, sem alterações em relação a março, mas com queda de 15,5% em relação ao ano anterior, segundo os dados.

As importações dos Emirados Árabes Unidos se recuperaram em abril para 669,7 mil bpd, de 230,6 mil bpd em março, enquanto o consumo de petróleo da Arábia Saudita permaneceu em cerca de 619,5 mil bpd.

Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita são os únicos produtores do golfo Pérsico com oleodutos que exportam petróleo bruto contornando o estreito de Hormuz, enquanto Kuwait, Iraque, Qatar e Bahrein dependem da hidrovia para as remessas.

O aumento das importações dos Emirados Árabes Unidos ajudou a deter um declínio na participação do Oriente Médio nas importações da Índia, enquanto a participação do petróleo russo caiu de quase 50% para cerca de 35%.

A Rússia continuou sendo o principal fornecedor de petróleo da Índia, seguida pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita. O Brasil foi o quarto maior fornecedor, enquanto a Venezuela ficou em quinto lugar. A Venezuela está a caminho de se tornar o quarto maior fornecedor em maio, segundo dados da Kpler.

(Reuters)

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