BNDES financia produtores de biocombustíveis

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Valor Econômico

No fim de janeiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para produtores de biocombustíveis, com o objetivo de estimular a redução das emissões no segmento. O programa, chamado BNDES RenovaBio, prevê que as empresas que alcançarem metas de redução de emissão de CO2 terão redução na taxa de juros. Segundo Petrônio Cançado, diretor de crédito e garantia do BNDES, é uma iniciativa complementar à política do RenovaBio, com a intenção de incentivar a adoção de melhores práticas produtivas e ambientais.

Cada empréstimo terá valor máximo de R$ 100 milhões por unidade produtora, sendo que o limite por grupo econômico é de R$ 200 milhões. O prazo de pagamento da linha é de até 96 meses, com carência de até 24 meses, e juros formados pela TLP ou referenciais de custo de mercado, acrescido de uma remuneração de 1,5% ao ano, e uma taxa de risco de crédito. Caso a empresa comprove a redução de emissão de carbono estipulada pelo banco, os juros podem cair em até 0,4 ponto percentual.

A iniciativa faz parte da agenda do banco de fomento, que inclui projetos e soluções com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). “O apoio à investidores, como ficou evidente especialmente no ano de 2020, como também da sociedade brasileira”, diz Cançado.

Segundo ele, 53% da carteira de crédito do BNDES está vinculada a projetos que apoiam a economia verde e o desenvolvimento social. Entre 2015 e 2020, o banco desembolsou R$ 140 bilhões para projetos associados a esses segmentos, sendo R$ 86 bilhões para a economia verde e R$ 54 bilhões para desenvolvimento social.

Em outubro de 2020, o BNDES captou R$ 1 bilhão em letras financeiras verdes, em uma operação lançada no mercado doméstico, com vencimento de dois anos e taxa de CDI + 0,45% ao ano. A emissão foi feita na forma de oferta privada para instituições financeiras e investidores institucionais brasileiros, com demanda superior a R$ 7 bilhões. “Os recursos captados serão voltados a projetos de geração eólica ou solar, mas temos intenção de ampliar o apoio para outros setores verdes e sociais futuramente”, diz o diretor do banco. A captação no ano passado foi o segundo ´green bond´ emitido pelo BNDES — em 2017, a instituição estreou no segmento com ´global notes´ de US$ 1 bilhão.

O banco prevê subscrever R$ 8,5 bilhões em debêntures de infraestrutura e sustentáveis entre 2020 e 2021, conforme noticiou o Valor em outubro. Segundo Cançado, esse montante representa uma estimativa de demanda por financiamento de projetos com características ESG em infraestrutura, em especial nos setores de energia e rodovias. A quantia reflete a diretriz do banco em dividir, na maioria dos casos, o risco de crédito com mercado de capitais, bancos multilaterais e privados, principalmente em grandes obras de infraestrutura.

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