Eletrificação cria nova corrida por energia no Brasil até 2036

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Eletromobilidade, data centers e produção de hidrogênio renovável devem alavancar o consumo de eletricidade no Brasil na próxima década, previsto para crescer a uma taxa média de 3,4% ao ano até 2036, chegando a 979 TWh.
 
Divulgado nesta quinta (8/10) para consulta pública, o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036) projeta um salto na demanda pela eletromobilidade, de 1 TWh em 2026 para 15 TWh em dez anos.
 
Segundo o documento elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda deve ser de 9,4 TWh para veículos leves, 4,6 TWh para ônibus urbanos e 0,7 TWh para caminhões. 
 
Essa expectativa de crescimento é impulsionada pela redução do preço dos veículos elétricos e a expansão da infraestrutura de recarga.
 
Essa transição já ganhou tração. Em agosto deste ano, os carros elétricos registraram novo recorde de participação nos emplacamentos do Brasil, sendo 24,4% do total segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Os 100% elétricos tiveram 25,9 mil unidades vendidas neste período.
 
Dados da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde) apontam que o volume de vendas no primeiro semestre no país alcançou com 91.483 unidades dos 285.785 veículos emplacados na região no período.
 
A frota brasileira de eletrificados também é a maior da América Latina, com mais de 580 mil veículos. Em termos de crescimento interanual, o país está em quarto lugar, tendo aumentado em 193%.
 
Outro impulsionador da demanda por eletricidade, os data centers — que aguardam a regulamentação do Redata para decidir investimentos no país — estão previstos para aumentar em dez vezes o consumo até 2036, segundo o PDE. Isso significa sair dos 3 TWh atuais para 30 TWh no período decenal.
 
Sua concorrente na disputa por conexão ao sistema elétrico, a produção de hidrogênio deve consumir 3 TWh daqui a dez anos. Segundo o PDE, a demanda elétrica da atividade deve começar em 2031, por causa do prazo mais longo para desenvolvimento dos investimentos.estúdio eixos na ROG.eEletrificação pressiona ciclo Otto, diz Citi

Haja energia renovável

Entre as principais agendas da próxima cúpula climática das Nações Unidas, a COP31, na Turquia, a eletrificação da economia — que vai muito além da frota de veículos — adiciona novos desafios às matrizes energéticas em todo o mundo. Inclusive por aqui.
 
Esta semana, a Global Renewables Alliance (GRA) e a Olacde assinaram um memorando de entendimento para fortalecer a cooperação em energias renováveis, justamente para ajudar a acelerar a eletrificação na América Latina.
 
“A discussão é sobre como nós podemos facilitar a troca das melhores práticas, estudos de caso e exemplos de ambos os projetos e políticas entre países da região, mas também com países de fora, para ajudar a acelerar o desenvolvimento da região”, disse o CEO da GRA, Bruce Douglas, em entrevista à agência eixos.
 
Para acompanhar as projeções de expansão da demanda por eletricidade, a Olacde indica que serão necessários cerca de 1.000 GW adicionais de capacidade de geração até 2050, para um cenário de emissões líquidas zero, combinado a 80 GW em bancos de baterias.
 
O custo é calculado em aproximadamente US$ 1,5 trilhão por ano, dos quais 90% corresponderiam à capacidade renovável. 
 
No mundo, a Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, em inglês) estima que a eletrificação como um dos caminhos para reduzir o consumo de combustíveis fósseis requer uma capacidade global de energia renovável de cerca de 18,4 TW até 2035 e de 38,2 TW em 2050.

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