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Analista vê espaço para etanol e gasolina no médio prazo, monitora suprimento de diesel e alerta para incerteza regulatória

EIXOS

A eletrificação da frota brasileira representa um desafio para o ciclo Otto, que envolve etanol e gasolina, mas o Brasil tem espaço para acomodar diferentes soluções energéticas no médio e longo prazo. A avaliação é do diretor de Óleo e Gás do Citi Latam, Gabriel Barra, em entrevista ao estúdio eixos durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, nesta terça (22/9). Confira na íntegra.

Segundo Barra, a penetração de veículos eletrificados nas vendas de carros novos no Brasil está em torno de 20%, patamar inferior ao de outros países, como China (60%) e norte da Europa (quase 90%). No entanto, o analista pondera que o impacto no consumo depende de onde essas vendas estão concentradas.

“Se a penetração é 20%, mas esses 20% estão alocados em motoristas de aplicativo ou táxis, que consomem 10 vezes mais, o fator multiplicador é muito importante”, explicou.

O Citi trabalha com três cenários para a eletrificação, e no base case projeta consumo de combustível “mais flat” à frente. O analista lembra que o parque de refino brasileiro já atingiu seu limite de produção de gasolina — sem o etanol, o país estaria importando o derivado fóssil.

“Vai ter espaço para os dois. O etanol é uma produção massificada no Brasil, e não vejo o país sem isso no futuro”, afirmou.

Além disso, o executivo citou novas frentes de adoção do biocombustível, como o frete marítimo, que ampliam a demanda para além do mercado interno de veículos leves.

Brasil importa 30% de diesel em cenário incerto

Diante do atual cenário de conflitos, Barra explica que o mercado de petróleo vive um paradoxo: mesmo com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20 milhões de barris por dia, o preço do WTI não disparou como se poderia esperar, chegando a bater quase US$ 70 recentemente. “O fundamento continua muito bear, mas o aspecto geopolítico é muito importante”, disse.

Ele destacou que o estresse é maior nos refinados do que no petróleo bruto, e que o Brasil, importador de cerca de 30% do diesel que consome, está exposto a esse cenário. “É um tema muito importante para a sociedade e para a nossa cobertura”, afirmou. O Citi estima um petróleo a US$ 65 para o ano que vem, em um cenário de normalização dos fluxos, mas com “wildcards” como a guerra na Ucrânia e o El Niño.

Etanol e biodiesel reduzem dependência de derivados

Barra destacou que os biocombustíveis atendem a um tripé importante: descarbonização, preço acessível e segurança de suprimento. Ele lembrou que o Brasil tem frota majoritariamente flex, mandato de E32 na gasolina e B15 no diesel. “Se não tivesse o B15, dependeria mais ainda do diesel importado”, afirmou.

O executivo citou o crescimento do etanol de milho, que saltou de 300 milhões de litros em 2017/2018 para quase 10 bilhões de litros no ano passado. “A tendência é aumentar”, disse, mencionando ainda as discussões sobre metanol e biogás no frete marítimo.

Imposto de exportação muda regra do jogo

Gabriel Barra mencionou também incertezas regulatórias que afetam investimentos no setor, citando o imposto de exportação de 12% sobre a receita das petroleiras. A projeção do Citi é que a taxa deveria encerrar até o final do ano, mas há risco de postergação.

“Mudar a regra do jogo no meio do caminho cria mais fricção no investimento”, afirmou.

Barra destacou ainda que o Brasil vive um ponto de inflexão na produção, com crescimento estimado até 2030, quando começaria a declinar. Ele defendeu mais investimento exploratório e em recuperação de campos maduros.

Por fim, o analista ressaltou o papel dos players independentes, como PetroRio e Brava, que têm ganhado espaço no país. “Existe um movimento conjunto entre independentes e majors para trazer investimento e suportar a curva de produção brasileira”, concluiu.

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