Fonte: Valor Online
Produzido com matéria-prima brasileira e com tecnologia agora desenvolvida por uma empresa também brasileira, o etanol celulósico da GranBio dependerá, ao menos inicialmente, de mercados externos que valorizam fontes renováveis de energia para se tornar viável.
Bernardo Gradin, sócio da companhia, estima que mais da metade dos 30 milhões de litros que deverão ser produzidos em 2019 terão como destino a Califórnia, onde o Programa de Combustíveis de Baixo Carbono (LCFS, na sigla em inglês) paga bons prêmios para biocombustíveis com baixa pegada de carbono. Outra parte da oferta deverá ser direcionada a mercados europeus como Dinamarca, Alemanha, Itália e Suíça.
O mercado californiano paga atualmente R$ 4 por litro pelo etanol celulósico da GranBio. É um valor bem superior ao pago no mercado interno, em torno de R$ 2,20, mas que ainda não cobre o custo de produção projetado para 2019 – R$ 2,25 o litro, segundo Gradin.
Mas ele acredita que esse custo cairá e que, em 2021, quando a produção está projetada em 60 milhões de litros, o etanol da Bioflex já será competitivo com o etanol de primeira geração, feito do caldo da cana. Gradin aposta que a pegada de carbono do etanol da Bioflex também poderá cair nos próximos anos, o que pode valorizar ainda mais o produto nos mercados internacionais.
Atualmente, o combustível tem uma intensidade de carbono de 33 gramas de gás carbônico equivalente por megajoule de energia gerada. O empresário acredita que essa intensidade poderá atingir 17 gramas já em 2019. "Poderia ser negativo se não tivéssemos que importar enzima, o que aumenta as emissões por causa do frete".
A GranBio quer estabelecer contratos de longo prazo para exportar seu etanol celulósico, e na Europa está em negociação com uma refinaria e uma distribuidora. "Esse mercado de longo prazo vai financiar a próxima planta de etanol 2G", diz.