EIXOS
Para 92% dos líderes empresariais brasileiros, a eletrificação tem potencial de tornar suas empresas mais competitivas, mostra pesquisa global encomendada pela E3G, pela We Mean Business Coalition e pela Global Renewables Alliance (GRA).
Divulgado nesta segunda (15/6), o relatório Powering Up: Business Perspectives on Electrification (Acelerando a eletrificação: perspectivas empresariais) traz o resultado de entrevistas com 1.994 líderes empresariais de 18 países sobre a visão de setor privado em relação à eletrificação da economia.
A eletrificação aparece associada a ganhos em segurança energética e inovação, enquanto os resultados globais apontam expectativa de impacto positivo sobre o crescimento econômico.
A pesquisa ouviu executivos de organizações de médio e grande porte, com receita anual de pelo menos US$ 1 milhão.
No Brasil, 96% dos entrevistados afirmam acreditar que a eletrificação impulsionará o crescimento dos negócios.
A volatilidade dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas reforçam a eletrificação renovável como estratégia para reduzir exposição a choques externos. O Brasil já viveu esse cenário na pandemia de Covid-19, quando o aumento dos preços de energia acrescentou R$ 17 bilhões à conta energética do governo, aponta a GRA.
De acodro com a pesquisa, os executivos brasileiros reconhecem o risco e 74% afirmam que o país é excessivamente dependente da importação de combustíveis fósseis. Já 86% consideram a eletrificação limpa ainda mais urgente diante das tensões geopolíticas.
“O Brasil reúne condições únicas para liderar a eletrificação e a descarbonização da economia, graças à sua matriz elétrica limpa e competitiva, à abundância de recursos renováveis e à capacidade de atrair investimentos em infraestrutura”, comenta Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e presidente do Comitê de Mobilização do Setor de Renováveis da GRA.
“O desafio agora é transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas, por meio de políticas públicas e ações concretas que acelerem a eletrificação e a descarbonização da economia, fortaleçam a competitividade do país e impulsionem o desenvolvimento econômico e social”, completa.
Infraestrutura e planejamento são prioridades
A segurança energética aparece como o principal benefício percebido pelos executivos brasileiros. Quando precisam escolher entre renováveis e combustíveis fósseis, 85% optam pela primeira alternativa.
Globalmente, 91% afirmam que a eletrificação melhoraria a segurança energética e 90% esperam que suas operações estejam eletrificadas dentro de uma década.
No Brasil, 96% apoiam modernizações da infraestrutura da rede elétrica, 89% defendem a digitalização da rede e 91% acreditam que esses investimentos tornarão a energia mais acessível no longo prazo.
Entre os instrumentos mais demandados estão planejamento governamental de longo prazo, redução dos preços da eletricidade e apoio financeiro para aquisição de equipamentos.
Para Natalia Oliveira, head de Policy and Advocacy para a América Latina na GRA, esses dados geram maior confiança interna para “o Brasil transformar sua matriz elétrica renovável em uma vantagem competitiva global”.
“A eletrificação limpa pode impulsionar a indústria, atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a segurança energética do país”, defende.
Por outro lado, o estudo também mostra que as empresas sentem os efeitos das barreiras de mercado e da incerteza regulatória.
No Brasil, enquanto 75% apontam as frequentes mudanças nas políticas governamentais como um fator determinante para suas decisões de investimento, 52% dos executivos afirmam que esses obstáculos já levaram suas empresas a adiar ou cancelar projetos de eletrificação.
Além disso, 79% enxergam que suas empresas estão avançando na eletrificação em um ritmo superior à capacidade de preparação das instituições e da infraestrutura.
Em nível global, 72% acreditam que as políticas públicas precisam acompanhar melhor essa agenda, e 62% consideram transferir suas operações para economias que ofereçam um ambiente mais favorável à eletrificação.