Mesmo com alívio em Ormuz, mercado mantém preocupações com suprimento de óleo no segundo semestre 

Petróleo recua mais de 5% nesta 4ª feira, com retomada lenta do fluxo em Ormuz
21/05/2026
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21/05/2026
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O mercado de petróleo global teve um leve alívio na quarta-feira (20/5), em meio às informações de que foi liberado o trânsito para alguns navios petroleiros que estavam retidos no Estreito de Ormuz desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Entretanto, o setor mantém preocupações com o suprimento global, sobretudo para o segundo semestre. 

Mesmo com os sinais positivos, a interrupção dos fluxos de petróleo no Oriente Médio vai continuar a impactar o mercado e os preços globais no segundo semestre, indicam especialistas. 

Uma das principais preocupações no momento é a reposição dos estoques que foram liberados nas primeiras semanas do conflito.

  • O Goldman Sachs calcula que os estoques globais caíram em média 4,6 milhões de barris/dia desde o início do conflito. Apenas em maio, até o momento, a redução média foi de 8,7 milhões de barris/dia. 
  • O uso dos volumes estocados aumentou, com a proximidade do verão no Hemisfério Norte, período de maior demanda por gasolina, diesel e querosene de aviação.
  • O banco acredita, no entanto, que os volumes ainda estão estáveis em relação ao mesmo mês em 2025, pois houve um maior acúmulo nos meses que antecederam a guerra.

Mas, mesmo que EUA e Irã cheguem a um acordo de paz nas próximas semanas, os volumes que chegarem ao mercado nos próximos meses devem ser usados para repor os estoques. 

  • A partir do terceiro trimestre, o mercado global deve voltar a ser superavitário, mas a produção incremental vai ser direcionada para repor reservas que foram usadas de forma emergencial, segundo o vice-presidente sênior para Desenvolvimento de Negócios na América Latina da Argus Media, Julio Faldin. 

Para o Brasil, o cenário é preocupante, pois parte do suprimento nacional tem sido atendido pela importação da Rússia, que pode ter menor disponibilidade nos próximos meses. 

  • O risco não é a falta de produto, mas sim a necessidade de que os importadores brasileiros tenham que pagar prêmios maiores para conseguir as cargas em um mercado internacional mais disputado.  

O período coincide com o pico da demanda nacional por diesel, devido à safra do agronegócio.

  • E o clima pode complicar ainda mais o cenário: com a previsão de um El Niño forte este ano, o agronegócio pode antecipar a colheita. 
  • A expectativa de uma seca mais prolongada já está levando a Atem a antecipar a programação de cargas de diesel para garantir o suprimento do combustível na região Norte no segundo semestre. 

Imposto de exportação. A declaração do presidente Lula (PT) sobre o uso do imposto de exportação do petróleo para subsidiar combustíveis reforçou a avaliação de advogados de que a medida provisória é inconstitucional, e pode causar, inclusive, questionamentos relacionados aos interesses de acionistas minoritários da Petrobras.
 
Impactos no gás. A Petrobras avalia internamente diferentes soluções — e não só o parcelamento — para suavizar o aumento do preço do gás natural no próximo reajuste trimestral, em agosto, disse na quarta-feira (20/5) o gerente geral de Comercialização de Gás e Energia da estatal, João Marcello Barreto.

  • A guerra no Oriente Médio reforça a importância de reduzir a exposição do preço do gás natural no Brasil aos indicadores externos e riscos geopolíticos, defende o vice-presidente Jurídico e de Relações Institucionais da Ternium Brasil, Pedro Teixeira, em entrevista ao podcast gas weekAssista na íntegra.  

Remuneração de infraestruturas. A Nova Transportadora do Sudeste (NTS) acusa a Petrobras de fornecer à ANP “documentos internos unilateralmente produzidos” e “com claro interesse econômico envolvido”, para tentar reduzir a remuneração das infraestruturas de transporte de gás natural que a própria estatal vendeu por dezenas de bilhões de reais há menos de dez anos.

  • A Petrobras rebate: defende transparência no processo de revisão tarifária e a validade de suas contribuições e diz que críticas se tratam de “mais uma desinformação”. 

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