Onda de frio nos EUA pressiona petróleo e política da Petrobras

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Folha de S. Paulo

A histórica onda de frio no Texas já se reflete nas cotações do petróleo e amplia a pressão sobre a política de preços dos combustíveis da Petrobras. Nesta quarta (17) , as duas principais cotações fecharam em alta de cerca de US$ 1 por barril.

A escalada ocorre em um momento de alta nos preços internos, que gerou um debate entre Jair Bolsonaro e governadores sobre mudanças no sistema de cobrança do imposto estadual ICMS.

As nevascas, que levaram ao fechamento de refinarias na principal região produtora de combustíveis dos EUA, reforçam as expectativas de que o ciclo de altanas cotações ainda deve perdurar, levando consigo os preços no Brasil.

Nesta quarta, o petróleo Brent, referência internacional negociada em Londres, fechou em alta de 1,6%, ou US$ 0,99, cotado a US$ 64,34 por barril, fã o WTI, negociado em Nova York, subiu 1,8%, ou US$ 1,09, para US$ 61,14.

São os maiores valores desde janeiro de 2020, antes do início da pandemia, quando o mercado era pressionado pela possibilidade de conflito no Oriente Médio após a morte do general iraniano Qasem Soleimani pelos EUA.

As cotações já vinham em altanas últimas semanas, diante da perspectiva de retomada da economia com o avanço da vacinação contra a Covid-19 pelo mundo e de cortes na produção promovidos pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Nos últimos dias, segundo analistas, o movimento é impulsionado pelas temperaturas historicamente baixas no Texas. “Isso acabou de nos levar para o próximo nível”, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho em Nova York, que vê o petróleo indo a US$ 65 por barril.

A frente fria já interrompeu a produção de cerca de 1 milhão de barris por dia, o equivalente a um terço do volume produzido no Brasil, e a expectativa é que o bombeamento continue sofrendo impactos por dias ou até semanas.

A política de preços da Petrobras trabalha com um conceito conhecido como paridade de importação, que calcula quanto custaria a venda, no mercado brasileiro, de combustível comprado nos EUA. Em 2021, a estatal já promoveu três reajustes no preço da gasolina e dois no do diesel.

Nas bombas, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) a gasolina acumula alta de 6,8% desde a última semana de 2020. fã o preço do diesel aumentou 4,6% no período.

Para especialistas, os valores cobrados pela estatal ainda não refletem a escalada das cotações internacionais, e novos reajustes são esperados.

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