Países da Opep+ concordam em expandir produção de petróleo

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O Estado de São Paulo

Alguns países da aliança Opep+ planejam aumentar modestamente sua produção no próximo mês, o que aumentaria a disponibilidade de petróleo após os preços dos combustíveis caírem para níveis não vistos desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados — conhecidos coletivamente como Opep+ — anunciou neste domingo, 5, que sete membros devem aumentar a produção em um total combinado de 188 mil barris por dia em agosto. Será o quinto mês consecutivo em que a Opep+ concorda em aumentar a produção de petróleo.

Os países participantes da decisão deste domingo são Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.

“Os países continuarão monitorando e avaliando as condições de mercado e, em seus esforços contínuos para apoiar a estabilidade do mercado, reafirmam a importância de adotar uma abordagem cautelosa”, diz o grupo de produtores de petróleo em um comunicado.

No último mês, o otimismo do mercado fez com que os preços do petróleo bruto despencassem antes e depois de EUA e Irã chegarem a um acordo provisório para pôr fim às hostilidades. Como parte de um memorando de entendimento mais amplo, o Irã concordou em permitir a passagem irrestrita de navios pelo Estreito de Ormuz, e os EUA concordaram em encerrar o bloqueio aos portos iranianos.

Desde então, cada vez mais navios comerciais têm transitado pelo Estreito, que antes da guerra era responsável por cerca de 20% do fluxo de petróleo mundial. Mas o tráfego marítimo permanece abaixo dos níveis pré-guerra, e as tensões sobre a hidrovia continuam. O comando militar conjunto do Irã alertou, na última quinta-feira, que todos os petroleiros que transitam pelo Estreito devem usar as rotas aprovadas ou enfrentar uma “resposta enérgica”.

Os preços do petróleo continuaram a cair enquanto negociadores do Irã e dos EUA tentam chegar a um acordo de paz definitivo. O petróleo Brent, referência internacional, estava cotado a menos de US$ 72 o barril logo após a abertura do mercado de commodities na noite deste domingo. O valor é próximo do praticado antes de EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã no fim de fevereiro, e muito abaixo dos preços exorbitantes após a guerra — em março, o barril chegou a quase US$ 120.

A guerra gerou uma crise energética em grande parte do mundo. Com muitos navios bloqueados no Estreito de Ormuz, os aumentos limitados na produção prometidos pela Opep+ nos últimos meses não conseguiram contrabalançar o impacto no fornecimento global de petróleo.

No início da guerra, muitos dos principais produtores de petróleo do Oriente Médio tiveram que reduzir a produção porque seu petróleo bruto não tinha para onde ir. A S&P Global Energy afirmou, em uma estimativa recente, que não espera que a produção de petróleo no Golfo se recupere totalmente até pelo menos o primeiro trimestre de 2027.

Especialistas em energia têm alertado repetidamente que os preços dos combustíveis e o custo dos bens de consumo provavelmente permanecerão elevados muito tempo depois do fim do conflito.

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