Fonte: Valor Online
A Petrobras deve adiar para abril a data de recebimento das ofertas vinculantes para o processo de venda do primeiro pacote de refinarias do programa de desinvestimentos. A data prevista inicialmente era 6 de março.
Conforme informado ontem pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, com base em fontes a par do assunto, o adiamento se deve a um pedido das próprias participantes do processo. Isso porque houve a entrada de novos interessados, entre grupos financeiros e não-financeiros, que estão discutindo a associação com os atuais candidatos.
Neste primeiro bloco estão as refinarias Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco; Landulpho Alves (Rlam), na Bahia; Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná; e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. Na etapa anterior, de ofertas não vinculantes, a Petrobras havia recebido cerca de cinco propostas por refinaria.
As quatro refinarias fazem parte de um plano maior de desinvestimento no refino. Ao todo, o plano contempla oito refinarias, com capacidade para processar 1,1 milhão de barris por dia de petróleo, o equivalente a cerca de 50% da capacidade do parque de refino da estatal. O valor estimado dos oito empreendimentos é de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões, segundo o UBS.
Com relação ao segundo pacote de refino à venda, a Petrobras iniciou na última semana a fase vinculante das refinarias Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas; a Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará; e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná. Principal ativo do segundo pacote, a refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), teve a etapa de propostas vinculantes aberta em dezembro do ano passado.
O Valor apurou que os potenciais compradores estão fazendo due dilligence (auditoria técnica e contábil) dos ativos. As empresas estão acessando o data room (sala virtual de informações) dos negócios e visitando as refinarias fisicamente.
A expectativa da Petrobras, conforme o Valor apurou, é que os acordos de compra e venda das refinarias sejam assinados ainda neste ano. No entanto, a conclusão dos negócios, com a respectiva liquidação financeira, é esperada para ocorrer apenas em 2021. O trâmite envolve um processo adicional de transformar cada refinaria em uma empresa para ser concretizada a venda.
De acordo com o plano de negócios e gestão da estatal para o período 2020-2024, a empresa prevê levantar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões com venda de ativos, entre eles as oito refinarias.