Petróleo cai para menos de US$ 100, mas analistas veem fôlego curto para negociações EUA-Irã

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Em mais um dia marcado pela volatilidade, os preços do barril de petróleo voltaram ao patamar abaixo dos US$ 100 na segunda-feira (23/3), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar das ameaças ao Irã e sinalizar conversas com o país persa.

Analistas, porém, são céticos quanto aos avanços concretos das negociações.

  • O Brent para junho recuou 9,86% (US$ 10,49), a US$ 95,92 o barril.

Em participação na CERAWeek, em Houston, Jim Mattis, ex-secretário de Defesa durante o primeiro mandato de Trump, afirmou a uma plateia de executivos do setor de petróleo e energia que não há perspectivas de uma solução imediata para a guerra.

  • Mattis acrescentou que o conflito permanece sem um vencedor claro e que nenhuma das partes demonstra disposição em buscar uma saída, seja por acordos econômicos ou diplomáticos.

Trump enviou secretários do alto escalão à conferência para reforçar a mensagem de estímulo à produção de petróleo e gás.

  • “Os preços subiram para enviar um sinal a todos de que podem produzir mais”, disse o secretário de Energia, Chris Wright;
  • A agenda foi marcada pelo anúncio de um acordo do governo estadunidense com a TotalEnergies para realocar cerca de US$ 1 bilhão previstos inicialmente em eólica offshore para o setor de gás e energia.

O acordo se dá num contexto de mudança nos fluxos de GNL. Cerca de 19% do suprimento global desse energético foi afetado pelo conflito. 

  • Na visão de analistas da S&P Global, no atual cenário o GNL perdeu a sua reputação de “combustível acessível” e a oferta no mercado global entrou num terreno ainda desconhecido. A indústria global deve sentir os impactos da guerra no Oriente Médio até a década de 2030

Principais exportadores da commodity, os Estados Unidos são candidatos naturais a compensar (ainda que parcialmente) a queda da oferta do Catar.

  • E não só os EUA podem se beneficiar: executivos da Shell e da Chevron afirmam que a destruição parcial da infraestrutura de GNL do Catar pode abrir espaço para atração de investimentos em liquefação em países da América do Sul e da África.

Rota do gás. Para o secretário geral do Fórum de Gás do Mediterrâneo Oriental, Osama Mobarez, o cenário reforça a necessidade de diversificação não só de fontes de gás, mas também de rotas de suprimento.

Na prática, enquanto isso, o Estreito de Ormuz segue fechado. É o principal gargalo para o retorno da produção do Oriente Médio ao mercado.

  • O fechamento da rota não é apenas um ataque a um país, mas sim um ato de “terrorismo econômico”, disse o CEO da Adnoc, sultão Ahmed Al Jaber, do Emirados Árabes Unidos.

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