O Estado de São Paulo
O mercado de petróleo começou esta quinta-feira (11) olhando para um relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas terminou acompanhando mais uma reviravolta de Donald Trump sobre o conflito com o Irã.
Após ameaçar um ataque “muito duro” contra o país persa, o presidente dos Estados Unidos anunciou no início da tarde que determinou o cancelamento das ofensivas previstas para esta noite. A mudança de tom reduziu parte do prêmio de risco geopolítico embutido nas cotações e pressionou a commodity.
O barril do Brent fechou negociado a US$ 90,38 por barril, com queda de 2,92%, enquanto o WTI desvalorizou 2,58%, a US$ 87,71 o barril.
Opep reduz projeção para 2026
No relatório mensal divulgado nesta quinta-feira, a Opep reduziu sua estimativa de crescimento da demanda global por petróleo em 2026.
A entidade passou a projetar expansão de 1 milhão de barris por dia no próximo ano, corte de 200 mil barris por dia em relação à previsão anterior. Com isso, o consumo mundial deverá atingir 106,13 milhões de barris diários.
Para 2027, porém, o cartel adotou uma visão mais otimista. A projeção de crescimento da demanda foi elevada em 200 mil barris por dia, para 1,7 milhão de barris diários, levando o consumo global estimado para 107,86 milhões de barris por dia.
O mercado também acompanhou os números de oferta. A Opep manteve sua previsão de crescimento da produção fora da aliança Opep+ em 600 mil barris por dia tanto para 2026 quanto para 2027.
Segundo o relatório, Brasil, Estados Unidos, Canadá e Argentina devem liderar a expansão da oferta nos próximos anos. Caso as projeções se confirmem, a produção dos países fora da Opep+ alcançará 54,83 milhões de barris por dia em 2026 e 55,45 milhões em 2027.
Trump muda o discurso e petróleo despenca
Apesar da relevância dos números divulgados pela Opep, o principal vetor para os preços continuou sendo o conflito no Oriente Médio.
Pela manhã, os contratos chegaram a reagir à publicação feita por Trump na Truth Social, na qual o presidente afirmava que os Estados Unidos lançariam um ataque “muito duro” contra o Irã ainda nesta quinta-feira.
A ameaça recolocou o risco geopolítico no radar dos investidores e sustentou momentaneamente as cotações.
O cenário, porém, mudou poucas horas depois. No início da tarde, Trump anunciou, também via rede social, que determinou o cancelamento das ofensivas previstas para esta noite.
A decisão provocou uma rápida mudança de humor nos mercados globais. As bolsas americanas ampliaram ganhos, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, recuaram e o petróleo passou a registrar perdas expressivas.
O movimento evidencia como as cotações continuam altamente dependentes das manchetes vindas do Oriente Médio. Nas últimas semanas, cada sinal de escalada militar elevou os preços da commodity, enquanto qualquer perspectiva de descompressão diplomática foi suficiente para reduzir o prêmio de risco incorporado ao barril.
O trunfo iraniano continua sendo Ormuz
Embora os investidores tenham recebido com alívio a suspensão dos ataques, o mercado ainda trabalha com elevado grau de incerteza.
Teerã continua tratando o Estreito de Ormuz como seu principal instrumento de pressão. A passagem marítima concentra cerca de um quinto do petróleo transportado globalmente e permanece como um dos pontos mais sensíveis da crise.
Para Jorge Leon, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, uma escalada mais ampla do conflito poderia levar o barril a patamares extremos. Segundo o analista, caso Estados Unidos e Irã retomem plenamente as hostilidades, o petróleo poderia alcançar US$ 150 por barril.