Petróleo fecha em queda firme, com preocupações sobre pandemia e aumento nos estoques nos EUA

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Valor Econômico

Os preços do petróleo encerraram a quarta-feira em queda, com os investidores denotando preocupações com a piora da pandemia de covid-19 na Índia – um importante mercado global – e com a alta inesperada nos estoques semanais nos Estados Unidos.
Os contratos futuros do Brent para o mês de junho encerraram a sessão em queda de 1,87%, aos US$ 65,32 o barril na ICE, em Londres, enquanto os preços do West Texas Intermediate (WTI) para entrega no mesmo mês recuaram 2,10%, a US$ 61,35 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).
A Índia relatou um número recorde de casos novamente na quarta-feira, contando mais de 200 mil infecções pelo sétimo dia consecutivo. Os hospitais do país estão enchendo rapidamente, com o sistema de saúde ficando sem leitos de UTI e com pouco oxigênio. Outras notícias indicam que as autoridades japonesas consideram ordenar um estado de emergência para Tóquio e Osaka devido ao aumento de casos de covid-19.
“Há muitas peças em movimento no mercado de energia agora, incluindo preocupações crescentes sobre os casos globais de covid-19 que atrapalham a recuperação na demanda do consumidor”, afirmou Tyler Richey, co-editor da Sevens Report Research, ao MarketWatch.
A recente sequência de dados econômicos robustos, especificamente nos EUA, é otimista para os preços, disse ele. No entanto, as potenciais ações judiciais antitruste contra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, pelas políticas de limite de produção de petróleo do grupo que têm “amplamente apoiado a recuperação dos preços do petróleo desde o outono passado”, é um desenvolvimento baixista, disse Richey.
O Comitê Judiciário da Câmara dos EUA aprovou um projeto de lei, conhecido como NOPEC, que deixaria a Opep aberta a processos antitruste sobre cortes de produção. Isso faz parte dos esforços de longa data para tornar ilegal a manipulação dos preços do petróleo pela Opep. O projeto, no entanto, tem um longo caminho a percorrer antes de se tornar potencialmente um projeto de lei sancionado.
“Se virmos a situação global do coronavírus se deteriorar, o movimento ‘NOPEC’ ganhar força no Congresso, ou a Opep + aumentar suas perspectivas de produção”, os preços dos futuros do petróleo de referência dos EUA podem ter suporte na faixa superior dos US$ 50 “testados e provavelmente quebrados, à medida que o rali do petróleo em 2021 perde fôlego”, disse Richey.
Caso contrário, “as esperanças de uma recuperação contínua da demanda e da produção estável devem apoiar a continuidade do comércio lateral, com um eventual movimento de alta se tornando cada vez mais provável”, disse.
Todos os fatores que influenciam o petróleo têm “desdobramentos conflitantes no mercado agora, razão pela qual os preços do petróleo caíram apropriadamente em um padrão de consolidação”, disse Richey.
Os preços do WTI estão “presos entre a resistência perto das máximas de 2021 de US$ 66 e US$ 67 o barril e as mínimas de março de US$ 57 o barril”, disse ele. Eles provavelmente “continuarão sendo negociados nesta faixa até que surja clareza em relação a um ou mais dos fatores fundamentais listados acima.”
Os preços hoje também demonstraram fraqueza na esteira dos dados de estoques semanais nos EUA, divulgados pelo Departamento de Energia (DoE).
O DoE informou que os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram em 600 mil barris na semana encerrada em 16 de abril. O dado interrompeu a sequência de três semanas seguidas de queda nos estoques.
Os números também mostraram que os estoques de petróleo bruto no centro de armazenamento de Cushing, Oklahoma, recuaram 1,3 milhão de barris na semana, mas a produção nacional total de petróleo permaneceu inalterada em 11 milhões de barris por dia.
A oferta de gasolina aumentou em 100 mil barris, enquanto os estoques de destilados caíram 1,1 milhão de barris na semana, de acordo com o DoE.

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