Folha de São Paulo
Alvo da Operação Sem Refino, na última sexta-feira (15), a Refit afirmou nesta segunda (18) que é falso afirmar que o empresário Ricardo Magro controla a companhia. A empresa afirma ainda que Magro sequer faz parte do quadro de acionistas.
O empresário teve a prisão preventiva decretada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Ele mora nos Estados Unidos e seu nome foi incluído na lista de foragidos da Interpol.
Magro e a Refit são investigados pela Polícia Federal por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, crimes contra a ordem econômica, falsidade ideológica e organização criminosa. Eles negam as irregularidades.
“A companhia esclarece que a alegação de que o sr Ricardo Magro seria ‘proprietário’ da Refit é incontestavelmente inverídica, uma vez que ele não integra o quadro de acionistas da companhia”, disse a empresa em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
O comunicado, assinado pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Refit, Paulo Henrique Oliveira de Menezes, foi uma resposta a questionamentos da CVM sobre a operação policial de sexta, que mirou as relações entre a companhia e o governo do Rio de Janeiro.
A declaração, porém, contradiz o próprio Magro, que em setembro de 2025, após a Operação Carbono Oculto, deu entrevista à Folha defendendo a atuação da Refit —na primeira pessoa do plural— e se dizendo perseguido por grandes distribuidoras de combustíveis.
Magro, de fato, não aparece na estrutura acionária da Refit. A empresa é controlada por uma holding chamada Xoroque Participações, com 69,4% das ações. Um fundo gerido pela Postalis, o fundo de pensão dos empregados dos Correios, tem 15,6% da companhia.
No relatório que baseou a Operação Sem Refino, a Polícia Federal sustenta que Magro usa “offshores em jurisdições marcadas por sigilo societário e tributação favorecida, bem como de trusts administrados por estruturas especializadas em proteção patrimonial”.
“Tais entidades não cumprem função legítima de internacionalização, mas operam como instrumentos de ocultação do beneficiário final, interposição fictícia de sócios e retirada de recursos do país sem lastro econômico real”, prossegue o texto.
É, diz a PF, “um padrão reiterado e convergente de condutas típicas de lavagem de capitais e blindagem patrimonial, envolvendo a fragmentação artificial das operações, a dissociação entre fluxo econômico e fluxo financeiro e o uso coordenado de empresas de fachada, holdings nacionais e estrangeiras, fundos de investimento e pessoas interpostas”.
A mesma operação investiga o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro por supostamente colocar a máquina do estado a favor da Refit, para facilitar os crimes e ajudar a blindar a empresa.
Em sua defesa, na sexta, Castro disse que foi surpreendido com a operação e que “está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura”. Afirmou ainda que todos os procedimentos de sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais da legislação vigente.
“A gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, a gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo montante se aproxima de R$ 1 bilhão.”