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Fonte: DCI

Sinal dos tempos. Na semana passada, os membros da Opep ratificaram em Viena o pré-acordo de Argel e concordaram em um corte de 1,2 milhão de barris-dia a partir de 2017, numa tentativa de recuperar os preços que estavam deprimidos há pelo menos dois anos. As decisões do cartel sempre causaram forte impacto na economia global e não foi diferente agora, com uma alta expressiva da commodity desde a véspera da reunião. Mas grandes analistas desse mercado alertam que os agentes se adaptaram às condições atuais, que o poder do grupo está limitado e que os efeitos serão de curtíssimo prazo.
Já faz algum tempo que o banco de investimentos Goldman Sachs tem alerta do para o que chama de “nova ordem do petróleo”, que se iniciou com a revolução da produção do óleo e do gás de xisto nos Estados Unidos. Esse fato se somou ao período de retração econômica pós-crise global de 2008/2009 e gerou um excesso de oferta que permanece até hoje. Para enfraquecer a posição americana – e também a russa- os produtores da Opep adotaram uma agressiva política de manter os preços em baixa e tentar reduzir os ganhos de produtividade dos concorrentes.
O que parecia dar resultado nos últimos acabou gerando uma lenta, mas firme adaptação à era de preços baixos. Hoje, o custo de produção baixou e a eficiência melhorou. De fato, o número de torres perfuradoras nos campos do Tio Sam chegou em novembro a 428 e deve aumentar em mais 300 até o final de 2017. Isso depois de atingir os níveis mais baixos no início deste ano. Tudo isso tem feito o banco de investimentos manter sua projeção de preços de petróleo para algo entre US$ 50 e US$ 55 até o final do ano que vem, dentro da faixa alcançada na semana passada após o acordo.
É claro que não dá para desmerecer alguns impactos localizados da decisão da Opep. Na Venezuela, o governo Maduro está soltando fogos para comemorar o acordo, que serve de boia no mar revolto da crise local. Ele chegou a defender estender o acordo de corte para até 20 anos, mas ninguém aposta nisso. Vai ser difícil o cartel ditar todas as regras do jogo daqui para a frente.

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