Com alta da gasolina, IPCA-15 deve acelerar em dezembro, dizem analistas

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Fonte: Valor Online

A prévia da inflação deve ter voltado a acelerar em dezembro, avaliam economistas, pressionada por uma queda menor dos preços de alimentos e bebidas e aumentos no grupo transportes, especialmente em passagem aérea e combustíveis. Mesmo assim, a inflação deve ter variação bem inferior à observada no ano passado, reforçando a percepção de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano abaixo do teto da meta, de 6,5%. De acordo com a média das projeções de 18 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o IPCA-15, prévia do índice oficial de inflação, subiu 0,30% em dezembro, após alta de 0,18% no mês de novembro. O intervalo entre as estimativas é de 0,25% a 0,38% para o mês. No entanto, a variação prevista para o IPCA-15, que será divulgado amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é bem menor do que a registrado em igual mês de 2015, de 1,18%. Com isso, a inflação acumulada nos últimos doze meses deve ceder mais um pouco, para 6,7%. Para o economista da LCA Consultores Fabio Romão, que estima alta de 0,3% do IPCA-15 em dezembro, o principal vetor de aceleração do IPCA entre novembro e dezembro deve ser transportes. De uma alta de 0,28% no mês passado, o grupo deve ter uma alta de 0,94% na prévia de dezembro, estima. Por causa da sazonalidade, diz, as passagens aéreas devem registrar variação positiva de cerca de 30% nesta leitura, segundo apontam as coletas de preços monitoradas pela consultoria. A gasolina também tende a ser uma fonte de pressão, ainda que modesta. Depois da queda surpreendente de preços em novembro, quando o combustível ficou 0,43% mais barato, agora as bombas devem refletir, ainda que parcialmente, o reajuste de 8,1% autorizado pela Petrobras no início do mês. “Como antes tivemos dois reajustes negativos, a variação ainda deve ser pequena”, comenta Romão, que projeta alta de 0,28% da gasolina na prévia do índice e de 2,5% no mês fechado. “Considerando o reajuste divulgado, o normal seria subir algo como 3,3%, mas a recomposição de preços está acontecendo lentamente”, diz ele. O grupo alimentação e bebidas também deve manter variação bem mais comportada do que o esperado para essa época do ano, mas vai acelerar em relação a novembro, estima o economista. Romão projeta que o grupo ainda vai mostrar deflação de 0,11% no IPCA-15 de dezembro, mas um pouco menos intensa do que a queda de 0,2% do mês passado. “É uma trajetória bem gradual de aceleração”, reforça ele, já que os alimentos estão “devolvendo” de forma mais intensa do que se esperava as fortes altas provadas pelo fenômeno climático “El Niño” na primeira metade do ano. Por último, diz Romão, o IPCA-15 também deve ficar mais pressionado por vestuário, grupo para o qual ele projeta aumento de 0,32% nesta leitura, depois de alta de 0,2% no mês passado. “Mas é muito longe dos aumentos de 0,8% a 1% que são usuais para essa época do ano”, diz ele, já que a fraqueza da atividade está derrubando a demanda por esses itens. Para ele, o IPCA deve acelerar um pouco mais até o fim do mês, para algo em torno de 0,4%, mas ainda assim o índice deve fechar o ano abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 6,5%. Por enquanto, Romão estima variação de 6,4% do índice oficial de inflação neste ano. O banco Haitong também avalia que a estimativa de alta de 0,31% do IPCA-15 reforça a chance de o índice oficial de inflação encerrar o ano dentro do intervalo do regime de metas. “Igualmente importante, o desempenho das medidas de núcleo inflacionário – cuja média dos três principais indicadores deverá ter ficado em 0,42% no período ou 6,96% – também sinalizará evolução mais tranquila à frente”, afirmam os economistas do banco em relatório.

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