Em caminhões, combustível renovável já é realidade

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Fonte: Valor Econômico
Em um futuro não muito longínquo, o diesel que hoje abastece os veículos pesados vai perder o protagonismo porque afeta diretamente a qualidade do ar e contribui para as mudanças climáticas. Os caminhões rodarão pelas estradas com biocombustíveis inovadores, motores híbridos elétricos ou hidráulicos ou movidos a gás natural.
“O combustível a ser utilizado vai depender do segmento que o veículo atende, se é um caminhão que roda mais no perímetro urbano ou na estrada, sua capacidade de carga, se há restrições à sua circulação”, afirma Leandro Siqueira, diretor de engenharia de desenvolvimento da MAN Latin America, que fabrica os caminhões e ônibus da Volkswagen.
A empresa vem trabalhando no desenvolvimento de motores que atendem a essas tendências de mercado, como uma tecnologia que roda com diesel renovável produzido a partir da cana-¬de¬-açúcar (já disponível para ônibus), além de motores híbridos. “Todas essas tecnologias ainda não são competitivas, mas vai chegar o dia em que será proibido andar com combustíveis fósseis, então os motores híbridos e adaptados para biocombustíveis serão benvindos”, diz Siqueira.
Antes dessa ruptura tecnológica, as tecnologias de controle de emissões dos motores ainda devem avançar rumo a padrões de emissões de poluentes mais rígidos. No caso do Brasil, os padrões ainda são menos rígidos em comparação com as normas europeias, principalmente em razão da qualidade do combustível. O teor de enxofre no diesel comercializado no país foi sendo reduzido ao longo da última década ¬ passou do S¬500, com mais de 500 ppm (partes por milhão) de enxofre para o atual S¬10 (10 ppm), o que levou os fabricantes de veículos pesados a incorporar novas tecnologias em seus motores, tanto para receber os novos combustíveis quanto para reduzir a poluição causada pelos óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO), materiais particulados (fuligem) e dióxido de carbono (CO2).
Agora, os veículos a diesel que circulam na Europa já estão uma tecnologia à frente, o Euro6, que entrou em vigor a partir de 2015 e traz limites mais rígidos para a emissão de poluentes ¬ no caso dos NOx, o limite liberado pelos escapamentos será 50% menor em relação ao padrão atual. A norma europeia deverá influenciar os novos parâmetros do Proconve (o P8) nos próximos anos. Porém, a eficácia da atualização poderá estar ameaçada pelo fato de que a frota brasileira é antiga: a maioria dos caminhões que rodam hoje pelas ruas e estradas tem idade média entre 17 e 20 anos, anteriores ao Euro5.
A Scania optou por utilizar no mercado brasileiro o sistema SCR (Redução Catalítica Seletiva, na sigla em inglês), baseada na tecnologia conhecida como Arla 32, um composto químico injetado no sistema de escapamento dos caminhões e transforma os óxidos de nitrogênio em nitrogênio e água.

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