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05/01/2017
Cresce parcela estrangeira na produção de petróleo
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Fonte: Valor Econômico

O avanço do programa de venda de ativos da Petrobras e o leilão do pré-sal prometem reacender, a partir deste ano, o movimento de desconcentração da produção de óleo e gás no Brasil. Embora a companhia continue sendo responsável pela operação dos principais projetos previstos para 2017, a expectativa da empresa é reduzir sua produção este ano, enquanto a trajetória de crescimento das petroleiras estrangeiras e privadas nacionais tende a se intensificar.

Ao longo de 2016, a parcela da produção não Petrobras ganhou mais importância no país: cresceu 14% e atingiu, em média, 457 mil barris diários de petróleo no acumulado do ano até novembro. Esse aumento foi puxado, sobretudo, por companhias como Shell, Petrogal e Repsol Sinopec (sócias da estatal no campo de Lula, no pré-sal), segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Os dados operacionais da estatal, por sua vez, se mantiveram praticamente estáveis e a participação das demais petroleiras na produção nacional, que em 2015 era de 16,5%, subiu para 18,4%.
A tendência é que, nos próximos anos, esse movimento de desconcentração se intensifique. A conclusão da venda de ativos da Petrobras e o início da produção de projetos importantes no pré-sal, onde a estatal divide fatias relevantes da produção com suas sócias, têm potencial para aumentar em 90%, ou cerca de 415 mil barris/dia, a produção das demias petroleiras a partir deste ano, para algo em torno de 870 mil barris diários de óleo. Na lista de venda de ativos previstos para serem concluídos este ano estão os 35% do campo de Lapa (BM-S-9), que começou a produzir em dezembro e cuja operação foi vendida para a Total; os 100% de Baúna e 50% de Tartaruga Verde, ambos na Bacia de Santos, para a Karoon; e os nove campos em águas rasas no Ceará e Sergipe e as 104 concessões terrestres que compõem o Projeto Topázio.
Já entre os projetos previstos para começar a operar em 2017 estão as áreas de Lula Sul e Lula Norte, operados pela Petrobras em sociedade com a Shell e Petrogal; o teste de longa duração de Libra, também no pré-sal da Bacia de Santos e que têm a Shell, Total, CNPC e CNOOC entre os sócios; e o projeto de Atlanta, no pós-sal da Bacia de Santos, operado pela Queiroz Galvão Exploração e Produção, em sociedade com a Barra Energia e OGX.

Diretor executivo da Accenture Strategy Energy, Matheus Nogueira, destaca, contudo, que o número de projetos operados por empresas privadas ainda é baixo e que o mercado brasileiro ainda se mostra altamente concentrado nas mãos da Petrobras nesse quesito. Ele ressalva que, embora as petroleiras estrangeiras “surfem na onda” do aumento da produção nas reservas do pré-sal, esses projetos são operados pela estatal.

Nogueira lembra que a diversificação do setor começou ainda no fim da década de 1990, com a quebra do monopólio da Petrobras e o início das rodadas de concessão, no país, mas que esse movimento de desconcentração sofreu um retrocesso a partir de 2010, quando foi instituída a exclusividade da Petrobras na operação do pré-sal. Segundo a Accenture, a participação das petroleiras nos investimentos em exploração e produção, que chegou a atingir 29% (US$ 9 bilhões) em 2010, caiu para 7% (US$ 1 bilhão) em 2016.

Na avaliação de Nogueira, contudo, o fim do monopólio da Petrobras na operação dos campos do pré-sal e a realização do leilão das áreas unitizáveis (descobertas cujos reservatórios extrapolam os limites da concessão para áreas da União ainda não licitadas) abrem espaço para as demais petroleiras no médio prazo.

Na licitação prevista para este ano serão oferecidas as áreas unitizáveis a concessões operadas por algumas gigantes do setor, como a Statoil, que opera Carcará, e Shell, operadora de Gato do Mato, ambos no pré-sal da Bacia de Santos.

“A concentração das operadoras cresceu no Brasil nos últimos anos. Olhando para frente, para reverter essa tendência, há duas alavancas: a venda de ativos da Petrobras em campos maduros, onde há hoje subinvestimento da estatal na recuperação desses ativos; e o leilão das áreas unitizáveis. Essa rodada pode acelerar a produção de outras operadoras, já que as áreas licitadas exigem campanhas exploratórias mais curtas”, afirma o consultor.

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